Um novo método utilizado fez com que a doença desaparecesse, mas Alyssa mantém acompanhamentos médicos

Juliane Moreti Publicado em 12/12/2022, às 17h23
Pela primeira vez na história, um novo tipo de tratamento para o câncer fez com que a britânica Alyssa fosse curada da doença que já era considerada em estágio terminal, ou seja, já não havia mais o que fazer.
Aos 13 anos de idade, em maio do ano passado, ela foi diagnosticada com um leucemia linfoblástica aguda das células T. Essas células, na verdade, são como 'guardiãs' do corpo, mas, para Alyssa, se tornaram um risco de vida, além de estarem sem controle.
Nenhuma tentativa comum, como a quimioterapia ou o transplante de medula óssea estavam funcionando. A doença, inclusive, atingiu o estágio agressivo. A última opção era deixar a adolescente aos cuidados paliativos.

Mas, com esperança, os médicos do Great Ormond Street Hospital, que é um hospital infantil em Londres, utilizaram da engenharia biológica para uma última tentativa de traçar um futuro melhor para a menina.
A equipe decidiu por em prática uma tecnologia inventada há apenas seis anos atrás, chamada de ''edição da base'', de acordo com o BBC News. São quatro tipos de base que formam a construção do bloco genético do corpo humano, se instalando no DNA - Adenina (A), Citosina (C), Guanina (G) e Timina (T)-.
O método consiste em alterar a edição da base formada pelo corpo, quando é ampliado uma parte do código genético e assim, pode-se trocar a estrutura molecular, convertendo-a em uma outra e modificando as instruções genéticas.
Cientistas e médicos uniram-se para projetar um novo tipo de célula T [já que a de Alyssa era destruídora para ela], provenientes de um doador que, com modificação do método citado, fossem capaz de caçar e matar as células cancerígenas da menina.
As edições foram feitas em três etapas. ''Ela é a primeira paciente [com a permissão dos pais] a ser tratada com esta tecnologia'', diz o professoor e médico Waseem Qasim. Ele ainda acrescentou que essa ''é uma área da ciência que se move muito rápido, com um enorme potencial em uma série de doenças''.
Alyssa passou 16 semanas no hospital, sem poder ir à escola e ver apenas os familiares, já que ficou vulnerável [porque as células projetadas atacaram as células cancerígenas e aquelas que tentavam proteger seu corpo] e em observação. Ela ainda, caso a terapia funcionar [como está acontecendo], receberá o segundo transplante de medula óssea para regenerar seu sistema imunológico. [incluindo as células T].
A verdade é que o procedimento foi um sucesso. Agora, ela passa somente por acompanhamento médico, mas foi liberada e pode ficar com a família e ''fazer coisas normais'', como ela descreveu. Nos últimos dois exames, não havia sinais do câncer novamente.

Agora, os médicos e especialistas estão completamente satisfeitos com o resultado. Segundo os profissionais, esse método pode ser aplicado para várias doenças, podendo ser extraordinário para a humanidade.
A família de Alyssa, assim como ela, estão empolgados pela nova vida que ela poderá levar.
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