Em entrevista exclusiva ao Diário de S.Paulo, profissionais da área relataram o quanto a cabine UV é utilizada, além da sua importância para o bom resultado

Juliane Moreti Publicado em 26/01/2023, às 17h05
Os famosos ''Gel na Tips'' ou ''Fibra de Vidro'' são os procedimentos da moda para as unhas, sendo utilizados por diversas mulheres brasileiras e estrangeiras. Entretanto, um novo estudo apresentou que a cabine UV, usada entre as etapas do procedimento, pode causar riscos à saúde: morte celular, alterações no DNA e mutações causadoras de câncer.
Em entrevista exclusiva ao Diário de S.Paulo, as profissionais Jessica Marsan, de 31 anos, e Monique Ellen, de 26 anos, contaram mais sobre o uso constante da cabine UV para uma boa entrega no resultado final das unhas, secando o gel e os esmaltes em gel.
Jessica Marques, especializada em ''Gel na Tips'', realizou um curso para aprender todas as técnicas. Atualmente, atende de 2 a 5 mulheres por dia. Em média, o procedimento leva 2h para ficar pronto, caso seja uma decoração mais simples.
Para o seu trabalho, ela ressalta a importância da cabine UV e a quantidade de vezes necessárias entre as camadas dos produtos.
''6 a 8 vezes se tiver unha encapsulada. Com glitter, de 80 a 100 segundos (com os dedos dentro da cabine)'', comentou. ''É super essencial. Não tem como fazer a unha sem ela (cabine UV). A secagem é super-rápida e faz a unha crescer'', acrescentou.

Já Monique Ellen Costa, especializada em ''Fibra de Vidro'', também fez um curso para a técnica e ainda procura aperfeiçoamento através de aulas online.
A profissional também utiliza a cabine UV em todos os seus atendimentos e apontou os problemas que a falta do equipamento pode trazer em seus atendimentos.
''100% essencial, pois sem a cabine não seria possível a secagem do gel, trazendo mais demora aos atendimentos e problemas de descolamento'', explicou Monique.

Apesar da cabine UV ser essencial para a realização das técnicas das unhas da moda, um estudo realizado pela Universidadeda Califórnia em San Diego (EUA), mostrou um resultado que ainda era desconhecido.
''Até onde sabemos, ninguém realmente estudou esses aparelhos e como eles afetam as células humanas nos níveis molecular e celular'', disse Ludmil Alexandro, autor correspondente do estudo.
A pesquisa foi publicada no dia 17 de janeiro, pelo portal Nature Communications, e utilizou três linhagens de células, incluindo as humanas. O resultado mostrou que os raios da cabine ultravioleta podem levar a morte celular, alterações no DNA e mutações causadoras de câncer.
Para o teste, os cientistas colocaram as células sob a cabine, tendo o resultado de 20 a 30% da morte das células em apenas 20 minutos. Exposto por três vezes no mesmo tempo, os danos aumentaram em 65 e 70%.
Os pesquisadores explicaram que as modificações ou mortes nas células são as mesmas vistas em pacientes com câncer de pele.
Apesar da resposta, ainda é cedo para afirmar a relação entre a cabine e a doença, mas, de toda forma, confirmam que as longas exposições podem causar problemas, sendo um caso que deve continuar sendo investigado.
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