As tensões aumentaram com novas medidas que restringem compras de terras chinesas

Vitória Tedeschi Publicado em 06/04/2023, às 10h03
Em meio a uma tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de estreitar as relações do Brasil com a China, tendo uma viagem marcada ao país na próxima terça-feira (11), parece que os Estados Unidos não estão querendo o mesmo.
Isso porque o país comandado por Joe Bidenestá intensificando os esforços para conter a compra de terras por cidadãos ou entidades chinesas, à medida que as relações entre os dois países atingem seu pior ponto em décadas.
Em Dakota do Sul, por exemplo, a legislatura estadual está pressionando um projeto de lei para criar um comitê responsável por examinar propostas de compra de terras por capital estrangeiro. Ou seja, tudo que for comprado precisará passar por esse comitê, que, provavelmente, barrará qualquer compra da China.
Dakota do Sul resistiu à ameaça representada pela China comunista", disse a governadora Kristi Noem em um discurso em Washington na semana passada.
"Através de nossa ação para impedir que empresas chinesas façam negócios em Dakota do Sul, também bloquearemos as compras de terras chinesas em nosso estado, especificamente no que se refere a terras agrícolas", disse ela.
Kristi, que representa o estado conhecido por ser capitalista, ainda afirma que não quer governos "estrangeiros e perversos" como vizinhos e que a proposta já foi aprovada por uma comissão do Senado estadual.
Vale citar que a mudança acontece logo após um moinho de milho planejado por uma empresa chinesa na vizinha Dakota do Norte gerar grandes preocupações geopolíticas. A Força Aérea dos Estados Unidos chamou a fábrica de "uma ameaça significativa", citando sua proximidade com uma base da Força Aérea no estado.
De acordo com o Valor Globo, no nível federal, o Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS) avalia Investimentos estrangeiros em busca de riscos à segurança nacional, mas a fábrica de milho estava isenta dessa avaliação.
Somando-se às "ameaças" financeiras, um suposto balão espião chinês descoberto recentemente sobre os Estados Unidos e posteriormente abatido foi a gota d'água para aqueles que se opõem ao investimento chinês darem um basta na relação.
Além de Washington e Dakota do Sul, outros estados americanos como a Virgínia também já aprovou projetos de leis e normas que visam países na lista de adversários do Departamento de Comércio, incluindo China, Cuba, Rússia, Irã e Coréia do Norte. E como o Texas, que proibiu compras de propriedades por cidadãos ou entidades da China.
Ainda de acordo com o Valor, no final de 2021, as terras agrícolas pertencentes a indivíduos ou entidades estrangeiras totalizavam cerca de 40 milhões de acres, cerca de 3% das terras agrícolas privadas do país, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Desse total, a China possui cerca de 384.000 acres, menos de 1% e bem abaixo do Canadá e da Holanda.
Apesar disso, diminuir ainda mais essa porcentagem pode ser um problema para o país. Isso porque, embora a China tenha uma população de 1,4 bilhão, três vezes maior do que a dos EUA, com 331 milhões, o maior desafio do país é fortalecer o poder de compra do seu mercado interno, mas parece que com as novas decisões do país americano isso pode se tornar mais difícil.
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