A viagem tem como objetivo fortalecer os negócios entre Brasil e China

Vitória Tedeschi Publicado em 18/03/2023, às 20h46
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou, na última sexta-feira (17), as datas da viagem do presidenteLuiz Inácio Lula da Silva (PT) à China, que acontecerá entre os dias 26 e 31 de março, para se encontrar com o presidente Xi Jinping.
No entanto, para além das expectativas sobre a viagem em si e os acordos que podem ser feitos entre os dois países, outro ponto vem levantando questionamentos: a comitiva que acompanhará Lula na viagem ao país asiático.
Isso porque, além de ministros e empresários - aliados do presidente - três representantes da Paper Excellence, empresa que apoiou diretamente o bolsonarismo e vem tentando tomar o controle da empresa Eldorado Papel e Celulose das mãos da companhia de capital nacional J&F, foram emplacados na missão empresarial.
Amaury Pekelman, diretor de Relações Institucionais da empresa, Claudio Laert Cotrim Passos, o presidente, e Marcelo Kim Yuen, o diretor jurídico são os membros da empresa que está envolvida em uma das maiores disputas empresariais do país, avaliada em R$ 15 bilhões.
Desse modo, o aspecto polêmico é que a Paper tem um histórico de ataques ao presidente Lula e também relações estreitas com o bolsonarismo. Vale citar, como exemplo, que a empresa em questão chegou a usar canais de desinformação bolsonaristas para atacar o advogado Cristiano Zanin Martins, cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante o governo Bolsonaro, que aconteceu entre 2019 e 2022, a companhia também manteve encontros com o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, e o então vice-presidente Hamilton Mourão para entregar cheques de supostos investimentos bilionários que ocorreriam no Brasil.
Diante da polêmica, a Paper Excellence afirmou, em nota enviada ao Brasil 247, que jamais financiou, financia ou financiará qualquer grupo político no Brasil ou no exterior e que mantém relações institucionais com representantes políticos e governos dos quatro países onde está presente, independentemente da ideologia política.
De acordo com o mesmo portal, a partir dos fatos recentes e com Lula agora no poder, a Paper poderia estar tentando se reposicionar para conquistar a simpatia do novo governo e, assim, conseguir vantagens na disputa societária.
Com a viagem à China, o presidente Lula (PT) pretende mostrar que o Brasil pretende entrar com força no processo de reatar relações comerciais com o país asiático, que se desgastaram durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Para realizar a missão, o próprio presidente pediu ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que convidasse uma comitiva de empresários para a acompanhá-lo ao país.
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