A mulher revelou todo o crime e acusou pai de santo de tê-la ajudado

Vitória Tedeschi Publicado em 20/10/2022, às 16h21
Após ser presa por policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), na última quarta-feira (19), por homicídio qualificado e ocultação de cadáver do companheiro, o motorista de aplicativo Alberto de Oliveira Gomes, Andreia Ramos Cortes confessou a participação nos crimes.
A viúva contou os detalhes do assassinato e afirmou ter colocado no suco da vítima um medicamento que inibe as funções do sistema nervoso central e permite alguma sedação e a deixado, desacordada, com uma das mãos amputadas, em uma área de mata fechada, no Alto da Boa Vista.
Na narração informal do crime, Andreia ainda incriminou o outro acusado, Marcos Felipe, que é pai de santo num terreiro de umbanda, e negou ter ligação com o crime. Em depoimento, ele afirma que só participou como um álibi de Andreia, afirmando que ela estaria em seu centro, em Tomás Coelho, no dia do desaparecimento.
No entanto, Andreia afirma que planejou todo o crime com Marcos, contra quem também foi cumprido um mandado de prisão temporária. Segundo a viúva, ele a estaria pressionando a fazer seguros de vida em nome de seu companheiro, realizar o pagamento das mensalidades e o matar para que dividissem o valor das duas apólices, que somam R$ 600 mil. O combinado seria, após o corpo de Alberto ser deixado por ela no lugar marcado, ele terminaria o "serviço".
Antes do corpo, que foi encontrado oito dias depois, já em adiantado estado de decomposição, aparecer, a filha do motorista conta que encontrou com Andreia e Marcos Filipe juntos na casa de seu pai.
"Meu pai desapareceu numa segunda, aí na quinta-feira eu estive na casa dele. Chegando lá, estavam ela (Andreia) e o bonito (Marcos Filipe) deitados na cama do meu pai. Conversamos, até que chega uma moto de entregador de comida. Eu fiquei três dias sem comer, aí ela pedindo lanche?", perguntou, indignada, Bruna Pereira Gomes, umas das filhas de Alberto.
Os filhos ainda explicam que Andreia estava fazendo uma vaquinha para conseguir pagar o enterro de Alberto.
"Ela não queria dar dinheiro nenhum para enterrar meu pai para não acionar o seguro e, assim, ninguém descobrir que ela era única beneficiária", explicou Bruna.
"Na cabeça dela, nós não sabíamos do seguro. Mas eu morei com meu pai a vida toda, então ele sempre me passou as senhas dele. Quando aconteceu isso, entrei na conta, coloquei a senha e entrou. Vimos tudo", diz Júnior, outro filho da vítima, que se deparou com um valor de R$1.300 na conta conjunta de Andreia e o pai, além de ter descoberto os seguros que totalizavam R$600 mil. Eles especulam o porquê de ela não ter pagado o enterro.
Nas imagens de câmeras da região, divulgadas pelo EXTRA, é possível ver o momento em que o carro de Alberto chega até a Estrada da Vista Chinesa, na noite de 26 de setembro. Minutos depois, Andreia aparece nos vídeos deixando o local a pé. Em depoimento, ela contou ter estudado em um colégio particular na região, durante a adolescência, e não frequentar o local há cerca de 30 anos.
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