A marca preocupante foi alcançada no estado em novembro deste ano

Vitória Tedeschi Publicado em 20/12/2022, às 18h20
Nesta terça-feira (20), o déficit de policiais civis em São Paulo, que vem acumulando perdas sucessivas de profissionais, bateu mais um recorde histórico com um total de 16.144 cargos vagos. A alta defasagem nos quadros da Polícia Civil impacta diretamente na investigação de crimes; no policial, que tem de trabalhar sobrecarregado; e na população paulista, que se sente cada vez mais insegura.
As informações são do "Desafômetro", ferramenta que o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) utiliza para contabilizar as perdas em Recursos Humanos sem reposição.

Ainda de acordo com o Sindicato, atualmente, dos 41.912 cargos previstos para a Polícia Civil, somente 25.763 estão ocupados, o que representa um déficit de 38,5%. Cinco anos atrás, quando a defasagem já era considerada elevada, o índice era de 27,2%, segundo alerta a presidente do Sindpesp, a delegada Jacqueline Valadares.
"A Polícia Civil do estado de São Paulo se depara, hoje, com um quadro assustador. São, afinal, 16 mil profissionais a menos, e isso traz reflexos diretos no serviço oferecido aos paulistas. A alta defasagem impacta na investigação de crimes e no próprio policial civil, que acaba trabalhando sobrecarregado, assim como afeta também a vida do cidadão, que não consegue se sentir seguro o suficiente para sair de casa, tendo a certeza de que retornará para a sua família com seus pertences e integridade intacta", afirma Jacqueline.

Além disso, o "Desafômetro" mais recente, levantado pelo Sindpesp no fim do mês passado, também trouxe uma relação de carreiras relacionadas à segurança com mais cargos vagos, confira:
A pesquisa mostrou, ainda, que 98 policiais se desligaram das funções no último mês, em sua maior parte foram por aposentadorias ou exonerações. No período, e a exemplo do que ocorre nos últimos anos, apesar da existência de candidatos aprovados em concursos para a Polícia Civil, não foram realizadas nomeações por parte do Estado para suprir a perda em Recursos Humanos.
"Nomeações imediatas e novos concursos têm de ser realizados com urgência, para recompor os quadros da Polícia Civil. E, não menos importante: é necessário ter um trabalho, uma reestruturação, que incentive este policial a permanecer na carreira. As desistências são, afinal, preocupantes. De toda maneira, o que os números nos mostram é que as saídas não são repostas. O que se espera é que este cenário de abandono das forças de segurança que presenciamos nas últimas décadas mude com o novo governo paulista", pontua Jacqueline, se referindo à posse em 1º/1 do governador eleito para a gestão 2023/2026, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).
Vale citar que no dia 1º de outubro, quando o Diário Oficial do Estado publicou a aposentadoria de 45 policiais, foi a primeira vez que o déficit de policiais civis em SP superou 16 mil cargos vagos. Segundo o sindicato, eram 41.912 cargos previstos para a Polícia Civil e, à época, somente 25.911 estavam ocupados. O que representava um déficit de 38,2%, número inferior ao levantado agora, em dezembro.
O "Defasômetro" contabiliza cargos vagos na Polícia Civil desde o decreto 59.957/13, que reorganizou e concedeu novas denominações ao banco de cargos e às funções-atividades da administração direta e autárquica do Estado de São Paulo.

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