Segunda fase da Operação Disclosure cumpre mandados no Rio e em São Paulo e determina bloqueio de até R$ 54 bilhões em bens

Letícia Sales Publicado em 25/06/2026, às 09h41
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga um esquema de supostas fraudes contábeis estimadas em cerca de R$ 54 bilhões.
A ação ocorreu simultaneamente nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais. Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite do prejuízo apurado.
Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa tem como objetivo aprofundar as apurações sobre irregularidades que teriam sido praticadas durante anos.
"Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico", informou a PF.
De acordo com os investigadores, os indícios reunidos até o momento apontam para possíveis crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
As investigações tiveram início em uma fase anterior da Operação Disclosure, realizada em junho de 2024. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra ex-diretores da Americanas, além de determinar o bloqueio de mais de R$ 500 milhões em bens e valores.
Conforme as apurações, parte das irregularidades estaria ligada às chamadas operações de risco sacado, modalidade financeira utilizada por grandes empresas para antecipar pagamentos a fornecedores por meio de crédito obtido junto a instituições bancárias.
Os investigadores também identificaram possíveis fraudes envolvendo contratos de Verba de Propaganda Cooperada (VPC), prática comum no setor varejista. No entanto, segundo a PF, valores teriam sido registrados contabilmente sem que houvesse operações reais que justificassem os lançamentos.
O caso ganhou repercussão nacional ao expor falhas nos mecanismos de fiscalização e controle do mercado financeiro brasileiro. Especialistas apontam que a crescente sofisticação das fraudes corporativas, aliada à limitação de recursos dos órgãos fiscalizadores, representa um desafio para a identificação precoce de irregularidades em grandes companhias.
Com o avanço da investigação, a expectativa é de que novas informações ajudem a esclarecer a participação dos envolvidos e o real impacto financeiro das supostas manipulações contábeis que estão entre as maiores já apuradas no país.
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