Um levantamento feito no ano passado pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) mostra que 300 cidades paulistas têm delegacias

Redação Publicado em 14/02/2022, às 00h00 - Atualizado às 07h16
Um levantamento feito no ano passado pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) mostra que 300 cidades paulistas têm delegacias sem delegados fixos.
A categoria também divulgou nesta terça-feira (8) em suas redes sociais fotos para mostrar a precariedade em prédios e viaturas em cidades como Santos e São Vicente, no litoral paulista; Porto Feliz, São José dos Campos e Itaquaquecetuba, no interior do estado; Guarulhos, Suzano e Taboão da Serra, na região metropolitana (veja nesta reportagem).
“O cenário estarrecedor se completa com a falta de infraestrutura da Polícia Civil por todo o Estado. Policiais trabalhando em imóveis interditados judicialmente por falta de segurança, prédios de distritos abandonados, viaturas apodrecendo no meio da rua foram situações flagradas e documentadas em imagens pelo Sindpesp”, informa trecho do relatório do sindicato dos delegados que será entregue à Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Viatura da Polícia Civil em estado precário de conservação é abandonada em Santos, segundo sindicato dos delegados de São Paulo — Foto: Divulgação/Sindpesp

Delegacia de Porto Feliz está praticamente abandonada, segundo sindicato dos delegados — Foto: Divulgação/Sindpesp
De acordo com o órgão, toda delegacia tem de ter ao menos um delegado ou uma delegada que responda diretamente pela unidade. Mas, segundo o sindicato, o que existe é uma situação preocupante na qual, por exemplo, um único delegado acaba acumulando funções ao se responsabilizar também por delegacias de outros municípios. O estado de São Paulo possui 645 cidades.
“É extremamente importante que as equipes estejam completas e organizadas. Um delegado que tem várias funções, trabalha com várias equipes em sistema de rodízio”, disse Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. “Outro problema muito grave é o delegado que está acumulando funções em quatro ou cinco delegacias. Quando a população se dirige à delegacia, ela não tem contato com o delegado, muitas vezes a vítima não fala diretamente com o delegado. É uma situação que é um quebra-galho do trabalho policial, de Polícia Judiciária”.
O Sindpesp cobra judicialmente a realização de concurso e nomeação de policiais para completar os quadros da instituição. A ação está no Supremo Tribunal Federal (STF).
O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP), que informou por nota que o levantamento do sindicato dos delegados está “equivocado”, mas sem informar qual foi o equívoco. Além disso, a pasta deixou de responder se as 300 delegacias não têm delegados fixos.
“A Polícia Civil esclarece que o levantamento citado, além de equivocado, contabiliza funções administrativas e cargos em estruturas fora de distritos policiais. Desde o início da atual gestão, o Governo do Estado investe continuamente na valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial. No período, 12.874 policiais foram contratados em todo o Estado, sendo 2.318 para a Polícia Civil. Além destes, foi autorizada a abertura de concurso para a contratação de mais 5.639 policiais, sendo 2.750 exclusivamente às carreiras da Polícia Civil. Paralelamente, 89 unidades policiais já foram reformadas e outras 177 estão em reforma ou com os respectivos projetos em andamento com previsões de entrega até o fim do ano. São mais R$ 249,3 milhões em investimentos com recursos do tesouro, convênios e parcerias público privadas. Cabe ressaltar que não há município paulista que não tenha um delegado que responda pelo expediente e coordene as equipes operacionais existentes em cada uma das unidades operacionais”, informa comunicado da Secretaria da Segurança Pública.
Os dados foram obtidos pelo sindicato após análise das delegacias que integram cada Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter) em suas respectivas regiões. São prédios, na sua maioria, em municípios considerados pequenos no interior e no litoral do estado.
O levantamento mostrou que faltam delegados fixos em Delegacia de Polícia, Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e Delegacia de Investigações Gerais (DIG) das cidades abaixo:
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G1
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