As facções identificaram a falta de uma peça fundamental e também as considerou velhas e em mau estado

Ana Rodrigues Publicado em 23/10/2023, às 08h00
Aparentemente, o objetivo dos autores que furtaram o arsenal de guerra do Exército em São Paulo - sendo metralhadoras .50 e calibre 7,62 - era muito fazer muito dinheiro aumentando o poder bélico das suas maiores facções criminosas do país, sendo a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a carioca Comando Vermelho (CV). Porém, devido o mau estado de conservação e ausência de peças fundamentais esfriaram o interesse.
Segundo o Metrópoles, em uma primeira negociação com integrantes do CV que comandam o tráfico no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, os "fornecedores" não conseguiram emplacar a venda em razão de ausência de uma fita metálica necessária para inserir a munição nas armas. A peça é de uso controlado pelo Exército, ou seja, difícil de ser adquirida no mercado.
Segundo os investigadores, essa negociação das armas foi feita em um grupo de Whatsapp, do qual participaram lideranças do CV. Um fornecedor postou no grupo um vídeo em que apareciam quatro metralhadoras .50, desviadas do arsenal. No total, 21 metralhadoras foram roubadas do quartel em Barueri, sendo 13 de calibre.50 e outras oito de calibre 7,62.
O crime foi descoberto no último dia 10, durante uma inspeção. Até agora, 17 armas foram recuperadas.
O arsenal também foi oferecido a um integrante do PCC, conhecido por liderar grandes roubos contra agências bancárias e carros-fortes. As metralhadoras .50 são conhecidas por seu alto poder destrutivo, porém, o assaltante descartou a compra por ter considerados as armas "velhas e em mau estado".
O fornecedor ainda chegou a pedir R$350 mil em cada metralhadora .50 (antiaérea) e R$180 mil pelos fuzis. Esses valores foram considerados "justos" no mercado paralelo de armas pesadas, mas não foram suficientes para agradar o membro do PCC, que descartou a compra.
Desde o último dia 11, devido a esse desvio das armas, cerca de 480 militares ficaram aquartelados para investigação interna.O isolamento contribuiu para que o comando conseguisse ouvir depoimentos e afunilar o número de possíveis envolvidos no crime. A maioria dos militares foi liberada na terça-feira (17), mas cerca de 160 militares permanecem sem deixar o quartel.
O Comando Militar do Sudeste já identificou três militares que teriam ajudado no furtoe também tem investigado a atuação de outros integrantes da corporação e de civis. O diretor do Arsenal de Guerra de Barueri foi exonerado na última sexta-feira (20).
Após esse escândalo de furto das armas de alto poder destrutivo, o comandante do Exército, Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, exonerou do cargo, o diretor do Arsenal de Guerra de São Paulo, Rivelino Barata de Sousa Batista. Porém, ele não foi demitido, mas sim transferido de estado.
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