Vacina contra VSR pode evitar 28 mil internações anuais, oferecendo proteção imediata aos recém-nascidos no Brasil.

Gabriela Nogueira Publicado em 10/09/2025, às 19h57
Na última quarta-feira (10), o Ministério da Saúde revelou um importante avanço na imunização de gestantes e recém-nascidos ao anunciar que, a partir de dezembro, estará disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) uma vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR).
A vacinaçãoserá destinada às gestantes que se encontram a partir da 28ª semana de gestação. A aplicação ocorrerá em dose única, proporcionando assim uma proteção eficaz aos bebês logo após o nascimento.
Enquanto o custo da vacina no setor privado ultrapassa R$ 1.500, o SUS garantirá a aquisição do imunizante por meio de uma colaboração entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Pfizer. Este acordo inclui a transferência da tecnologia de produção do medicamento para o laboratório público vinculado ao governo de São Paulo.
O VSR é um agente patogênico significativo, responsável por aproximadamente 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças com menos de dois anos, conforme informações do ministério.
De acordo com a pasta, a nova vacina tem potencial para evitar cerca de 28 mil internações anuais, oferecendo proteção imediata aos recém-nascidos e beneficiando aproximadamente 2 milhões de bebês que nascem vivos anualmente.
Inicialmente, serão disponibilizadas 832.500 doses até novembro, seguidas por mais 1 milhão no mês subsequente. Estados e municípios terão autonomia para organizar os calendários locais de vacinação.
Estatísticas alarmantes indicam que uma em cada cinco crianças infectadas pelo VSR requer atendimento ambulatorial e que cerca de uma em cada 50 pode necessitar de internação durante o primeiro ano de vida. Anualmente, cerca de 20 mil bebês menores de um ano são hospitalizados devido a complicações associadas ao vírus.
A mortalidade entre bebês prematuros apresenta uma taxa sete vezes maior em comparação aos nascidos a termo. Entre 2018 e 2024, foram registradas aproximadamente 83 mil internações relacionadas ao VSR em bebês prematuros, abrangendo problemas como bronquite, bronquiolite e pneumonia.
Adicionalmente, o ministério anunciou que o Brasil começará a produzir natalizumabe, um medicamento biológico utilizado no tratamento da esclerose múltipla, através de uma parceria entre a farmacêutica Sandoz e o Butantan.
Esses acordos são classificados como Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs), onde o governo se compromete a adquirir os produtos para o SUS enquanto a tecnologia é transferida para a fábrica pública.
No evento de posse do novo presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle, junto com os novos diretores Thiago Lopes Cardoso e Daniela Marreco Cerceira, as parcerias foram destacadas pelo ministro Alexandre Padilha. Essa mudança na liderança marca uma nova fase para a agência, que anteriormente contava com diretores nomeados pelo governo anterior.
Durante suas declarações, Safatle enfatizou seu compromisso com a promoção da soberania nacional e o aumento do acesso à saúde, prometendo enfrentar rapidamente as filas existentes para análise de novos produtos pela Anvisa.
O advogado sanitarista Thiago Cardoso reconheceu os desafios enfrentados pela Anvisa durante a pandemia e ressaltou a importância da representatividade negra nos espaços de poder. Por sua vez, Daniela Cerqueira elogiou a dedicação dos profissionais da Anvisa, afirmando que sua atuação abrange um espectro amplo de atividades no setor saúde.
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