Investigação aponta prejuízo de cerca de R$ 80 milhões em golpes com falsas plataformas de investimento e uso de empresas em nome de laranjas

Letícia Sales Publicado em 14/07/2026, às 12h45
A Polícia Civil deSão Paulo realizou, nesta terça-feira (14), a Operação Summit para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar um esquema de fraudes financeiras que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 80 milhões. Durante a ação, agentes do 10º Distrito Policial (Penha) cumpriram mandados em mais de 20 endereços no estado e prenderam um dos investigados apontados como líder do grupo.
Segundo as investigações, a quadrilha criou mais de 100 empresas de fachada registradas em nome de laranjas. Os CNPJs eram utilizados para dar aparência de legalidade às operações e eram substituídos sempre que surgiam bloqueios judiciais ou denúncias.
De acordo com a Polícia Civil, Fábio Czerkes Santana seria o responsável por coordenar o esquema. A investigação aponta que ele já possuía histórico de crimes relacionados à sonegação fiscal e teria migrado para fraudes virtuais, mantendo a mesma estrutura de empresas e intermediários. A defesa do investigado não foi localizada até a publicação desta matéria.
Os policiais também identificaram o município de Santa Bárbara d'Oeste como um dos principais centros administrativos da organização. No local, pessoas em situação de vulnerabilidade eram recrutadas para figurarem como proprietárias de empresas com capital social declarado de R$ 5 milhões, embora sem qualquer atividade econômica real.
Para atrair vítimas, os criminosos utilizavam redes sociais, como Instagram e WhatsApp, onde supostos especialistas em investimentos prometiam altos rendimentos em pouco tempo. As pessoas eram direcionadas para plataformas que simulavam operações financeiras legítimas, exibindo saldos falsos para convencer os investidores a realizar novos depósitos.
Em um dos casos investigados, uma vítima transferiu mais de R$ 250 mil acreditando estar aplicando recursos em investimentos rentáveis. Durante o golpe, os suspeitos apresentavam extratos que indicavam um patrimônio fictício superior a R$ 4,7 milhões. Um pequeno saque foi autorizado inicialmente para aumentar a credibilidade da fraude, mas, quando a vítima tentou resgatar o restante do dinheiro, passou a receber cobranças indevidas sob diferentes justificativas até perceber que havia sido enganada.
Além das fraudes financeiras, a Polícia Civil apura a possível ligação da organização com o ataque hacker que atingiu a empresa Sinqia em agosto de 2025, caso que provocou um prejuízo estimado em R$ 710 milhões. As investigações seguem para identificar outros envolvidos e dimensionar o alcance do esquema criminoso.
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