Expectativa é que, ao longo deste ano, sejam fabricadas 1 milhão de doses contra a doença

William Oliveira Publicado em 22/01/2025, às 08h30
O Instituto Butantan, instituição brasileira de pesquisa e produção de vacinas, iniciou a fabricação das primeiras doses da vacina contra a dengue, chamada Butantan-DV, em suas instalações em São Paulo. A expectativa é que, ao longo deste ano, sejam produzidos 1 milhão de doses, com uma meta de atingir 100 milhões até 2027.
Em dezembro do ano passado, o instituto finalizou a entrega dos documentos necessários para solicitar o registro da vacina junto à Anvisa. Segundo informações divulgadas pela agência, o processo está na fase de submissão de documentos, que antecede o pedido formal de registro, sem prazo definido para conclusão.
O desenvolvimento da Butantan-DV é resultado de décadas de pesquisa pela equipe científica do Instituto Butantan. Durante os estudos, foram coletados dados de 17 mil voluntários em todo o Brasil, resultando em uma taxa de eficácia geral de 79,6%. Nos casos mais graves da doença, a proteção alcançou 89%.
A vacina é uma inovação importante no combate à dengue, sendo a primeira opção disponível em dose única e tetravalente, oferecendo proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Sua aplicação será indicada para indivíduos com idades entre 2 e 60 anos incompletos.
Segundo Esper Kallás, diretor-técnico do Butantan, "a vacina Butantan-DV oferece dois benefícios principais, comprovados pelos estudos realizados. O primeiro é a criação de uma barreira protetora no sistema imunológico do indivíduo, que impede a multiplicação do vírus sob a pele após a picada do mosquito Aedes aegypti. O segundo é a redução significativa no risco de formas graves da doença, mesmo que a infecção ocorra."
A produção da Butantan-DV será realizada nas instalações dedicadas à dengue dentro do próprio instituto. A equipe do SP2 teve a oportunidade de visitar as instalações e observar o início do processo produtivo.
No ambiente controlado destinado ao envase da vacina, estão sendo realizados treinamentos para qualificar a equipe e os equipamentos. O procedimento inclui injetar a vacina líquida em frascos dentro de um ambiente rigorosamente controlado para evitar contaminações. Em seguida, o produto será desidratado em pó para facilitar o transporte e armazenamento. Nas unidades de saúde, a equipe diluirá o produto antes de aplicá-lo ao paciente.
A Anvisa confirmou que o Instituto Butantan enviou em 16 de dezembro de 2024 a última remessa de documentos necessários para o registro da vacina. Até o momento, não há um prazo definido para a finalização do processo.
Se obtiver aprovação regulatória, a Butantan-DV será a primeira vacina contra a dengue no mundo administrada em dose única. Kallás enfatiza que "essa conquista é pioneira globalmente e representa um avanço significativo para todas as faixas etárias testadas até agora", destacando a importância dessa inovação como um marco para a ciência brasileira e para as instituições públicas do país.
Kallás também sublinha que esta vacina pode ser uma ferramenta crucial no combate à dengue, doença que chegou ao Brasil na década de 1980 e ainda causa sérios problemas de saúde pública e mortes.
No estado de São Paulo, os números relacionados à dengue são alarmantes. No ano passado, foram registrados mais de 2 milhões de casos da doença, o maior número desde o início da série histórica em 2000. Ao todo, 2.050 pessoas perderam a vida devido à enfermidade. Nos primeiros 20 dias deste ano, a Secretaria Estadual da Saúde já confirmou 19.636 casos e cinco mortes, além de outros 37.138 casos sob investigação.
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