O deputado federal apresentou sua perspectiva sobre o escândalo no podcast “Cara a Tapa”

Mateus Omena Publicado em 24/04/2023, às 18h51
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tentou defender a madrasta Michelle Bolsonaro em relação ao escândalo das jóias recebidas pela ex-primeira dama e pelo marido Jair Bolsonaro (PL).
No podcast “Cara a Tapa”, o político afirmou que o assessor parado na alfândega com joias avaliadas em R$ 16,5 milhões, dadas pela Arábia Saudita ao governo Bolsonaro, falou que as peças de diamantes eram para Michelle "por intuição".
Segundo o deputado, os presentes foram enviados pelo governo saudita por meio do então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque. Na volta ao Brasil, Albuquerque estava "com pressa para pegar uma conexão" e mandou seu assessor passar pela Receita Federal.
Ele disse que o assessor foi passar as malas pela alfândega e um funcionário da Receita Federal perguntou o que tinha dentro, no entanto o funcionário do governo Bolsonaro não soube responder. Depois que abriram a mala, se depararam com as joias de diamantes e, "intuitivamente", o assessor teria dito que "deve ser para a primeira-dama", referindo-se à Michelle.
De acordo com Eduardo Bolsonaro, Bento teria oficiado a Secretaria de Patrimônio Público, mas "o negócio ficou por isso". Assim, as joias foram retidas pela Receita.
Por outro lado, ele pontuou que o pai só soube das joias um ano depois, em outubro de 2022, quando "um sujeito" falou para ele sobre os diamantes "travados lá em Guarulhos".
"Aí o meu pai, espontâneo, o que ele faz, chega pro assessor mais próximo, devia ser o ajudante de ordens, coronel Mauro Cid, e diz: 'vê isso aí, resolve pra mim'", disse o parlamentar.
Além disso, ele admitiu que o ex-presidente recebeu "um relógio, abotoadura, sei lá o que", mas que a defesa de seu pai "mandou devolver, porque ele não faz questão". Na realidade, as joias que ficaram de posse de Bolsonaro só foram devolvidas ao patrimônio público após decisão do TCU (Tribunal de Contas da União), que obrigou o ex-presidente devolver os presentes de luxo.
Ele também reforçou que "fica um negócio deselegante" devolver os presentes dados pelo governo saudita, "porque os árabes querem mostrar essa deferência toda, então mais caro é o presente" -- a mesma justificativa foi dada pelo ex-ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, que disse ser "deselegante" devolver um relógio de luxo que ele ganhou do governo Qatar em 2019.

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