Operação Última Parada mobilizou cerca de 350 policiais e promotores do Gaeco para cumprir cinco mandados de prisão e mais de cem mandados de busca e apreensão. Investigação aponta que empresa de transporte coletivo teria sido utilizada para ocultar recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital.

Ana Beatriz Publicado em 25/06/2026, às 11h26
A Operação Última Parada resultou na prisão do vereador Senival Moura (PT) em São Paulo, acusado de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, destacando a infiltração do crime organizado em instituições públicas.
Cerca de 350 policiais e promotores participaram da operação, que também prendeu dirigentes da Transunião Transportes S.A., com evidências de que a empresa foi usada para ocultar recursos ilícitos.
Medidas de bloqueio patrimonial e apreensão de documentos foram determinadas para aprofundar as investigações, que se originaram em 2020 após o assassinato do ex-presidente da Transunião, e o caso continua sob análise do Ministério Público e da Polícia Civil.
Uma das maiores operações contra o crime organizado em São Paulo neste ano resultou, na manhã desta quinta-feira, 25 de junho, na prisão do vereador paulistano Senival Moura (PT), investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Batizada de Operação Última Parada, a ação foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, em conjunto com a Polícia Civil, através do Departamento Estadual de Investigações Criminais. Ao todo, cerca de 350 policiais e promotores participaram da ofensiva.
Além do parlamentar, a operação teve como alvo dirigentes da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A., concessionária responsável por linhas de transporte coletivo na capital paulista. Entre os presos está Lourival de França Monário, presidente da companhia. Outros investigados também foram alvo de mandados judiciais.
Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de prisão temporária e 104 mandados de busca e apreensão, cumpridos em diferentes regiões do Estado de São Paulo, no litoral paulista e também no município de Extrema, em Minas Gerais.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, as investigações apontam que a empresa de transporte teria sido utilizada para ocultar e movimentar recursos provenientes da atuação do PCC. Os investigadores afirmam que Senival Moura exerceria controle efetivo sobre a empresa, mesmo sem integrar oficialmente sua diretoria.
As apurações também indicam que o vereador presidia, na Câmara Municipal de São Paulo, a Comissão de Trânsito e Transporte, responsável por acompanhar e fiscalizar o setor, enquanto, segundo os investigadores, mantinha influência sobre a administração da Transunião.
De acordo com a investigação, documentos, planilhas e registros financeiros teriam sido armazenados em endereços ligados ao grupo investigado, reforçando a suspeita de utilização da empresa para lavagem de dinheiro da facção criminosa.
A Operação Última Parada é um desdobramento de investigações iniciadas em 2020, após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião. Desde então, policiais e promotores passaram a investigar a possível infiltração do crime organizado na gestão da empresa de transporte coletivo.
As autoridades também informaram que foram determinadas medidas de bloqueio patrimonial e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos para aprofundar as investigações sobre a movimentação financeira do grupo.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Senival Moura havia informado que se manifestaria oficialmente sobre a prisão. A Transunião também não havia divulgado posicionamento público.
Os investigados deverão responder, conforme o avanço das apurações, por crimes relacionados à organização criminosa e lavagem de dinheiro. O caso segue sob responsabilidade do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo.

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