Diário de São Paulo
Siga-nos

Quem é Senival Moura, vereador preso em investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC

Parlamentar do PT e figura conhecida na política da Zona Leste da capital paulista, Senival Moura foi preso durante a Operação Última Parada. A investigação aponta que ele teria ligação com um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC por meio de uma empresa de transporte coletivo.

Senival Moura é apontado pelo Ministério Público como um dos principais investigados na Operação Última Parada - Imagem: Reprodução
Senival Moura é apontado pelo Ministério Público como um dos principais investigados na Operação Última Parada - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 25/06/2026, às 12h06


O vereador Senival Moura (PT) foi preso durante a Operação Última Parada, sendo investigado por um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) através da empresa de ônibus Transunião, o que representa uma reviravolta em sua carreira política focada no transporte coletivo em São Paulo.

As investigações começaram após o assassinato do presidente da Transunião em 2020 e revelaram que Moura poderia ser o beneficiário de parte da frota da empresa, com indícios de que a companhia foi usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos, evidenciados por um aumento significativo no capital social da empresa sem explicação clara.

A Justiça bloqueou cerca de R$ 194 milhões em bens e contas, sequestrou 117 veículos e afastou os dirigentes da Transunião, enquanto a defesa de Moura ainda não se manifestou sobre as acusações, e a investigação continua em andamento, garantindo ao vereador o direito ao contraditório.

Preso na manhã desta quinta-feira, 25 de junho, durante a Operação Última Parada, o vereador Senival Moura (PT) tornou-se um dos principais alvos de uma investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião.

A prisão marca uma reviravolta na trajetória de um político que construiu praticamente toda a sua carreira pública ligada ao transporte coletivo da capital paulista.

Início da trajetória

Naturalmente associado à Zona Leste de São Paulo, Senival Moura iniciou sua atuação pública na década de 1990, quando passou a trabalhar no sistema de transporte alternativo por lotações. Na época, foi um dos fundadores do Sindilotação, sindicato que representava proprietários de veículos do transporte alternativo da cidade.

Foi justamente defendendo os interesses do setor que começou a participar de debates sobre mobilidade urbana, regulamentação do transporte e políticas públicas para a categoria. Essa atuação abriu caminho para sua entrada na política.

Carreira política

Ao longo dos anos, Senival consolidou sua base eleitoral principalmente na Zona Leste da capital e foi eleito vereador pela primeira vez no início dos anos 2000.

Nas eleições municipais de 2024, conquistou seu sexto mandato consecutivo na Câmara Municipal de São Paulo, recebendo mais de 30 mil votos. Também ocupava cargos de destaque dentro do Legislativo paulistano, entre eles o de presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica e o de primeiro-secretário da Mesa Diretora.

Durante sua trajetória, costumava defender pautas relacionadas ao transporte público, mobilidade urbana, moradia, saúde, educação e esporte, embora sua principal atuação sempre estivesse concentrada no setor de transportes.

Família e vida pessoal

Senival Moura sempre manteve sua vida familiar longe da exposição pública. Há poucas informações divulgadas oficialmente sobre sua esposa, filhos ou outros familiares, característica que marcou sua trajetória política ao longo dos anos.

Mesmo assim, seu nome sempre esteve fortemente associado ao setor empresarial do transporte coletivo, área na qual construiu sua carreira antes mesmo de ingressar definitivamente na política.

O que levou à prisão

Segundo o Ministério Público, as investigações tiveram início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa Transunião, em 2020. A partir desse caso, investigadores passaram a analisar documentos financeiros, planilhas e registros internos da companhia.

De acordo com a investigação, Senival Moura exerceria influência sobre a empresa mesmo sem ocupar oficialmente cargo de direção. Promotores afirmam que ele seria o beneficiário econômico de parte da frota da concessionária, incluindo pelo menos 13 ônibus registrados em nome de terceiros ou da própria empresa.

Os investigadores afirmam ainda que mensagens apreendidas o identificavam por apelidos como "presidente", "vereador", "véio" e "velhinho". A suspeita é de que a Transunião tenha sido utilizada para ocultar patrimônio e movimentar recursos destinados à lavagem de dinheiro em benefício do PCC.

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a evolução patrimonial da empresa. Segundo o Ministério Público, o capital social da Transunião passou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação clara da origem dos recursos. Apenas em 2025, a concessionária recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte coletivo.

A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 194 milhões em bens e contas bancárias, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações pertencentes aos investigados. Também foi determinado o afastamento dos dirigentes da empresa e a adoção de medidas para garantir a continuidade do serviço de transporte à população.

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Senival Moura ainda não havia apresentado manifestação detalhada sobre as acusações. A investigação segue em andamento, e o vereador responderá ao processo com direito ao contraditório e à ampla defesa.


últimas notícias