Segundo o Ministério Público de São Paulo, Senival Moura exercia o controle de fato da empresa de ônibus Transunião, mesmo sem aparecer oficialmente como proprietário. A investigação sustenta que a concessionária teria sido utilizada para movimentar recursos ilícitos e dar suporte financeiro ao Primeiro Comando da Capital.

Ana Beatriz Publicado em 25/06/2026, às 12h14
O vereador Senival Pereira de Moura foi preso sob a acusação de controlar a Transunião Transportes S.A., utilizada para lavagem de dinheiro em benefício do PCC, durante a Operação Última Parada em São Paulo.
Investigações revelaram que, embora Senival não fosse o proprietário formal da empresa, ele exercia controle sobre suas operações financeiras, facilitando um sistema clandestino de movimentação de recursos ilícitos.
Além da prisão de Senival, a operação resultou na detenção do presidente da Transunião e no bloqueio de R$ 194 milhões em bens dos investigados, enquanto a defesa ainda poderá se manifestar no processo judicial.
O Ministério Público de São Paulo afirmou que o vereador Senival Pereira de Moura (PT), preso nesta quinta-feira (25), era o verdadeiro controlador da empresa Transunião Transportes S.A., concessionária responsável por linhas de ônibus da capital paulista e alvo da Operação Última Parada. A investigação aponta que a companhia teria sido utilizada para ocultação de patrimônio, movimentação de recursos e lavagem de dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com documentos obtidos pelo Ministério Público, embora Senival não figurasse formalmente como proprietário da empresa, ele exercia o chamado "controle fático" da Transunião, tomando decisões estratégicas sobre a administração e principalmente sobre a estrutura financeira da concessionária. Os promotores afirmam que esse domínio permitia que a empresa funcionasse como instrumento para um sistema financeiro clandestino voltado à circulação de dinheiro e ao suporte econômico de integrantes da facção criminosa.
A conclusão foi baseada na análise de comunicações telemáticas, documentos apreendidos e cruzamento de informações obtidas ao longo da investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil.
Um dos principais elementos apresentados pelos investigadores é um documento manuscrito encontrado durante buscas na residência de Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", apontado como autor do assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, morto em 2020. Segundo o Ministério Público, as anotações apresentam compatibilidade com a dinâmica financeira identificada ao longo das investigações.
No manuscrito aparece a referência a um suposto desvio de R$ 15 milhões relacionado à chamada "garagem". Conforme os investigadores, o valor deveria ter sido destinado às chamadas "remissões", expressão utilizada para identificar repasses aos acionistas da empresa, mas que, segundo a apuração, não chegaram aos destinatários.
O documento também cita Leonel Moreira Martins, apontado como operador financeiro do grupo, que teria recebido aproximadamente R$ 200 mil provenientes desses recursos desviados. Ainda segundo a investigação, o material menciona que o esquema teria sido revelado por Adauto Soares antes de ser assassinado. Nas anotações, ele afirmaria que apenas cumpria ordens de pessoas identificadas como "Veio" e "Cabeça Branca". Após cruzamento de informações, o Ministério Público concluiu que os apelidos fariam referência, respectivamente, ao vereador Senival Moura e a Leonel Moreira Martins.
A Operação Última Parada também resultou na prisão do presidente da Transunião, Lourival de França Monário, além de outros investigados apontados como integrantes da estrutura financeira do esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, investigadores localizaram R$ 65 mil em dinheiro escondidos dentro de sacos de lixo em um dos imóveis alvo da operação. Segundo a investigação, o local pertence a Devanil de Souza Nascimento, conhecido como "Sapo", apontado como operador financeiro e homem de confiança do vereador. Vídeos obtidos pelos investigadores mostram o momento em que o dinheiro é retirado de um esconderijo sobre um móvel da residência.
As investigações tiveram início após o homicídio de Adauto Soares Jorge, em 2020. A partir da apuração do crime, promotores e policiais passaram a identificar indícios de que integrantes do PCC exerciam influência direta sobre decisões estratégicas da concessionária de ônibus, utilizando sua estrutura para movimentar recursos considerados ilícitos.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 194 milhões em bens e contas bancárias dos investigados, além do sequestro de imóveis, veículos e embarcações que, segundo o Ministério Público, podem ter sido adquiridos com recursos provenientes do esquema.
A defesa dos investigados ainda poderá se manifestar durante o andamento do processo. As acusações apresentadas pelo Ministério Público serão analisadas pela Justiça, e todos os investigados têm assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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