Devido ao confronto entre Israel e Hamas, houve uma disparada dos preços internacionais de petróleo

Ana Rodrigues Publicado em 16/10/2023, às 10h30
Devido ao confronto entre Israel e Hamas, houve uma disparada dos preços internacionais de petróleo que foi registrada na última semana, onde representa a mais nova e robusta ameaça à economia do planeta. No Brasil, ele surge como um "inimigo" que pode jogar contra a queda da inflaçãoe dos juros no país.
Na última sexta feira (13), segundo o site Metrópoles, o preço dos contratos com vencimento para dezembro do petróleotipo Brent, a referência internacional, fechou em alta de 5,68%, sendo cotado a US$90,89. Ao longo da semana, ele apresentou elevação de 7,29%.
O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas disse que uma alta de 10% nos preços do petróleo seria capaz de derrubar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 0,15 ponto percentual, além de elevar a inflação em 0,4%. Sendo assim, a magnitude da encrenca que paira sobre a economia global.
No Brasil, o cenário é preocupante imediata com a inflação. O IPCA(Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a taxa oficial do país, divulgado na semana passada, foi apontado uma elevação de 0,26% em setembro. Onde foi comemorado pelo mercado, porque a expectativa era de crescimento de 0,34%. Mas, o IPCA tem um grande vilão, a gasolina.
O coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), André Braz, observou que toda vez que o petróleo sobe, há risco imediato de elevação dos preços dos combustíveis.
A gasolina compromete 5% do orçamento familiar no Brasil. Para cada 1% de aumento do produto nos postos, há um impacto na inflação de 0,05 ponto percentual. Isso quer dizer que, se a gasolina avança 5%, o IPCA sobe 0,25%, e isso é muita coisa", disse o economista.
No último IPCA, a gasolina sofreu um aumento de 2,8%. Essa elevação foi resultado de um efeito residual do aumento dos combustíveis, promovido pela Petrobras, em agosto. Segundo Braz, se não fosse a pressão exercida pelo combustível, a inflação de setembro teria registrado avanço de apenas 0,10% - não 0,26%, como de fato ocorreu.
Ainda segundo o economista, o aumento do diesel também pesa na conta, pois, acaba encarecendo fretes, transporte público urbano, geração de energia pelas termelétricas e movimentação das máquinas no campo.
O impacto é indireto, mas chega. E ainda tem o efeito do aumento do petróleo de uma forma geral, cujos derivados pressionam o custo de insumos como adubos e fertilizantes".
Em uma análise feita pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), indicou que a trajetória dos preços dos derivados de petróleo, em setembro - sendo antes do confronto de Israel e do Hamas -, foi reforçado a expectativade pressão inflacionária do mercado internacional sobre o nacional.
De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o litro da gasolina vendido no Brasil está 4% mais caro do que a média internacional e o diesel da Petrobras está 12% mais barato. Isso quer dizer que o valor da gasolina tem uma folga em relação ao mercado global, mas o diesel está abaixo, o que já representaria pressão para o aumento do produto.
Segundo Sérgio Araújo, presidente da Abicom, ainda falta algum espaço para que o confronto no Oriente Médio acenda a luz vermelha na economia global.
Os preços do petróleo e de seus derivados são muito sensíveis a movimentos geopolíticos e, naturalmente, tiveram aumentos com o conflito. Mas, na minha visão, são movimentos especulativos, uma vez que o problema ainda não impacta diretamente a cadeia de suprimentos dos combustíveis".
Para o professor de Negócios Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio, Paulo Ferracioli, o cenário internacional pode se complicar caso haja um envolvimento do Irã, grande produtor mundial de petróleo, no conflito.
Segundo André Braz, a guerra é mais um elemento entre outros inúmeros riscos econômicos, identificáveis no cenário nacional e internacional, o que pode afetar negativamente a inflação brasileira e, por consequência, a queda dos juros no país.
Temos de olhar os efeitos do El Niño, que tem influenciado o clima no Rio Grande do Sul, com chuvas torrenciais, e no Norte e Nordeste, com secas. Isso além dos juros nos EUA e da questão da política fiscal no Brasil. Mesmo assim, ainda acredito que podemos terminar o ano com uma inflação dentro do intervalo de tolerância da meta, que é de 4,75% ao ano", finalizou.
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