Diário de São Paulo
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CRATERA EM OSASCO

Sabesp conclui primeira fase de reparos em cratera que deixou nove desabrigados em Osasco

Buraco se abriu na Rua Cuiabá, no bairro Rochdale, durante obras de rede de esgoto; três imóveis foram interditados após apresentarem trincas e rachaduras estruturais

Nove pessoas, incluindo crianças, ficaram desabrigadas após incidentes em obras da Sabesp; empresa promete reparos - Imagem: Reprodução/TV Globo
Nove pessoas, incluindo crianças, ficaram desabrigadas após incidentes em obras da Sabesp; empresa promete reparos - Imagem: Reprodução/TV Globo

Letícia Sales Publicado em 14/07/2026, às 10h00


A Sabesp finalizou, na manhã desta terça-feira (14), a primeira etapa dos reparos na cratera que se abriu no bairro Rochdale, em Osasco, na Grande São Paulo. Uma camada de cimento foi aplicada no local após uma madrugada inteira de trabalho das equipes da concessionária.

O buraco surgiu na Rua Cuiabá durante obras conduzidas pela Sabesp para a implantação de uma rede de esgoto voltada à despoluição de córregos da região. De acordo com a empresa, o problema foi provocado por uma movimentação de solo que causou trincas e rachaduras em três imóveis situados em frente ao canteiro de obras.

Famílias desabrigadas

A Defesa Civil de Osasco confirmou que a obra, executada por uma empresa terceirizada contratada pela Sabesp, causou danos estruturais nas três residências, colocando em risco a segurança dos moradores. Diante da gravidade das avarias, os imóveis foram interditados para preservar a integridade física dos ocupantes.

Ao todo, nove pessoas — sete adultos e duas crianças — ficaram desabrigadas. A concessionária se comprometeu a acolher as famílias e concedeu um vale de ajuda financeira no valor de pelo menos R$ 2 mil a cada uma delas.

Em nota, a prefeitura de Osasco informou que, "em decorrência da interdição, nove pessoas ficaram desabrigadas, sendo sete adultos e duas crianças, as quais serão acolhidas pela concessionária. Permanecem no local equipes da Defesa Civil e da Sabesp".

A Sabesp afirmou que equipes de assistência social e de engenharia seguem no local prestando atendimento às famílias, realizando avaliações técnicas e apurando as causas do incidente. A empresa garantiu ainda que arcará com o reparo integral dos danos, acompanhando cada caso individualmente até a solução completa da situação.

Sequência de incidentes

O caso de Osasco se soma a uma série de problemas registrados em obras da Sabesp na região metropolitana nos últimos meses, que já provocaram interdições de vias, rompimentos de tubulações e afundamentos de solo em diferentes municípios.

No dia 6 de julho, um rompimento de adutora foi registrado na Avenida Luiz Pequini, em São Bernardo do Campo, durante obras de ampliação do sistema de saneamento na altura do número 1.140 da via.

Em junho, a companhia havia admitido que funcionários não seguiram protocolos de segurança durante um vazamento de gás no Centro de São Paulo, ocorrido no dia 4 daquele mês, na Rua Dr. Teodoro Baima, próximo ao Teatro Arena, na região da República. O episódio aconteceu apenas três dias depois de a Sabesp anunciar um novo protocolo de segurança, criado justamente para evitar casos como o do bairro do Jaguaré, onde uma explosão ligada a uma obra da companhia atingiu ao menos 46 imóveis — dez deles completamente destruídos — e resultou na morte de duas pessoas em maio. O caso do Jaguaré ainda está sob investigação.

Governador cobra revisão de protocolos

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, em junho, que o estado passaria a revisar os procedimentos adotados nas obras da Sabesp após a explosão no Jaguaré. Segundo ele, era necessário equilibrar a assistência às vítimas com uma reavaliação dos protocolos de segurança diante do grande volume de intervenções em andamento.

A gente tem hoje 1.200 canteiros de obra da Sabesp no estado. São muitas obras acontecendo e tem uma hora que você tem que dar uma parada. Vamos verificar procedimento, porque a gente não pode ter esse tipo de coisa acontecendo", declarou o governador em entrevista coletiva.
Tarcísio também relacionou o aumento do número de obras simultâneas ao crescimento dos investimentos em saneamento após a privatização da empresa, em 2024. "Por mais que você tenha aumentado muito o risco – aumentou muito a quantidade de obra e de investimento – isso está tirando o sono, está preocupando a gente, então vamos revisitar esses processos pra garantir a segurança das pessoas", afirmou.

Arsesp abre apuração

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que já iniciou as providências para apurar as circunstâncias do caso e enviará uma equipe técnica ao local. Segundo a agência, caso sejam constatadas irregularidades — incluindo eventual descumprimento dos protocolos de segurança instituídos pela própria Arsesp — as sanções cabíveis serão aplicadas. A agência afirmou que acompanhará o caso até a conclusão das apurações, incluindo a assistência prestada pela concessionária aos moradores afetados.


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