Embaixada francesa classificou publicação de Hebe Casado como incompatível com os valores da cooperação entre os dois países e anunciou restrições diplomáticas

Julio Cezar Souza Publicado em 14/07/2026, às 12h17
A embaixada da França em Buenos Aires declarou a governadora da província de Mendoza, Hebe Casado, como persona non grata após uma série de publicações nas redes sociais consideradas de cunho racista. A decisão impede que a política participe de eventos e atividades oficiais promovidos pela representação diplomática francesa na Argentina.
A controvérsia começou depois que Casado comentou a eliminação do Paraguai para a França na Copa do Mundo e se referiu à equipe comandada por Kylian Mbappé como uma "equipe africana". A declaração foi publicada na rede social X em apoio às críticas feitas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla ao atacante francês.
Na mensagem, a governadora também afirmou que não suportava Mbappé. A publicação rapidamente gerou repercussão e críticas de autoridades e usuários nas redes sociais.
Governadora rejeita acusações de racismo
Após a repercussão negativa, Hebe Casado recusou-se a pedir desculpas. Em entrevista a uma emissora de rádio argentina, afirmou que seu comentário estava sendo interpretado de forma equivocada e atribuiu a reação ao que chamou de "wokismo".
Segundo ela, a referência à origem dos jogadores franceses não teria caráter discriminatório. A governadora argumentou ainda que considerar a expressão ofensiva significaria tratar africanos como inferiores, posição que disse não compartilhar.
Casado também reforçou sua posição ao compartilhar uma publicação do jornalista espanhol Javier Negre, que defendia que mencionar a ascendência de parte dos atletas franceses representaria apenas uma constatação, e não uma manifestação racista.
França condena declaração
A resposta da embaixada francesa foi imediata. O embaixador Romain Nadal afirmou que manifestações dessa natureza são incompatíveis com os princípios defendidos pela França e justificou a decisão de declarar a governadora persona non grata.
Segundo o diplomata, o racismo não pode ser tratado como opinião e não encontra espaço nas relações institucionais entre França e Argentina.
Com a medida, Hebe Casado fica impedida de participar de encontros, cerimônias e demais compromissos oficiais organizados pela representação diplomática francesa.
Caso amplia tensão iniciada na Copa de 2022
O episódio reacende uma discussão que acompanha as relações entre os dois países desde a final da Copa do Mundo de 2022. Na ocasião, cânticos de teor racista direcionados a jogadores franceses de ascendência africana provocaram forte reação de autoridades e entidades esportivas.
As declarações da governadora também surgem poucos dias depois da polêmica envolvendo a senadora paraguaia Celeste Amarilla, que passou a ser investigada na França após publicar ofensas racistas contra Mbappé depois da eliminação do Paraguai no Mundial.
Até o momento, o governador de Mendoza, Alfredo Cornejo, não se pronunciou sobre o caso. Nos bastidores, porém, há preocupação com possíveis impactos políticos e econômicos, já que a província mantém uma relação comercial estreita com empresas e investidores franceses, especialmente no setor vitivinícola, um dos principais motores da economia local.
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