O governo busca ações punitivas e medidas de proteção para o setor de bebidas

Gabriela Nogueira Publicado em 07/10/2025, às 17h38
O governo federal anunciou a formação de um comitê em colaboração com a sociedade civil, visando enfrentar os desafios apresentados pelas bebidas contaminadas por metanol. A proposta abrange tanto ações punitivas contra aqueles envolvidos na adulteração quanto medidas de proteção para o setor de bebidas, considerado vital para a economia nacional, conforme declarado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
O comunicado sobre essas iniciativas foi feito pelo ministro após uma reunião que contou com a presença de autoridades governamentais e representantes do setor de bebidas, realizada em sua pasta.
“Realizamos um debate produtivo e concordamos que a criação de um comitê para enfrentar a crise do metanol é fundamental”, afirmou Lewandowski.
Este comitê, conforme destacado pelo ministro, será informal e servirá como um canal para troca de informações sobre melhores práticas e ações adotadas tanto pelo setor público quanto pelo privado, com o intuito de buscar soluções eficazes para o problema.
“Em um país tão vasto como o nosso, com 210 milhões de habitantes e diversas realidades regionais, é imprescindível que o governo se una à iniciativa privada e à sociedade civil para abordar as questões que enfrentamos”, argumentou o ministro.
Lewandowski ressaltou que a questão das bebidas contaminadas deve ser encarada também como uma "crise econômica", dada a relevância deste setor para o desenvolvimento econômico do Brasil.
“Esse é um segmento que gera empregos, contribui com impostos e promove o crescimento. Por isso, nossa preocupação é diferenciar claramente aqueles que atuam dentro da legalidade dos que infringem as normas, garantindo o avanço da economia sem descurar das ações repressivas necessárias”, disse.
O ministro destacou ainda que há um plano de ações punitivas que pode incluir advertências, sanções financeiras e até fechamento de estabelecimentos irregulares.
“Precisamos separar o joio do trigo. Nossa prioridade é agir contra os comerciantes que adulteram intencionalmente as bebidas, enquanto protegemos aqueles que operam dentro da legalidade”, completou Lewandowski.
A reunião foi marcada pela participação de representantes da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) e da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
Fiscalização Rigorosa
De acordo com Paulo Pereira, secretário nacional do Consumidor, dezenas de estabelecimentos já foram notificados e estão sendo investigados.
Essas notificações exigem que os estabelecimentos apresentem informações sobre a aquisição de bebidas e dados dos clientes que possam ter sido afetados pela intoxicação.
“Até o momento, identificamos 15 estabelecimentos notificados. Além disso, mais 15 locais estão sendo investigados, junto a cerca de 25 distribuidoras e entidades do setor”, afirmou Pereira.
O secretário também mencionou que diversos estabelecimentos já foram fechados durante as fiscalizações locais. “Agora, estamos focando em inteligência para entender melhor os padrões e identificar fornecedores potencialmente criminosos”, acrescentou.
Pereira enfatizou a importância da colaboração dos distribuidores e associações para mapear as características desses fornecedores, diferenciando entre legalizados e ilegais. Ele também destacou contatos com centros de pesquisa em busca de soluções e validação de testes rápidos para assegurar a qualidade das bebidas disponíveis no mercado.
Investigações em Curso
A suspeita sobre o envolvimento criminoso aumentou após caminhões contendo combustíveis terem sido abandonados em algumas localidades. O ministro ressaltou que as linhas de investigação poderão variar dependendo da origem do metanol encontrado.
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