Medicamento importado do Japão será usado em casos graves; país já registra 127 notificações e 11 confirmações laboratoriais

Gabriela Nogueira Publicado em 05/10/2025, às 11h00
Na última atualização sobre a crise de intoxicação por metanol, o Brasil registrou novos casos em investigação nas regiões da Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul. O Ministério da Saúde anunciou, neste sábado (5), a aquisição de 2.500 tratamentos para lidar com intoxicações resultantes da ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, revelou durante uma coletiva de imprensa em Teresina, Piauí, que os antídotos adquiridos são conhecidos como fomepizol, um medicamento específico para tratar vítimas de metanol. A compra foi realizada através da Organização Panamericana de Saúde e será efetuada junto a um fornecedor japonês.
"Já formalizamos a aquisição e esperamos a chegada desse antídoto na próxima semana. Além do etanol farmacêutico que já temos disponível, contaremos agora também com o fomepizol", declarou Padilha.
O ministro expressou sua gratidão à Organização Panamericana de Saúde e enfatizou a relevância dessas ações que visam não apenas a saúde no Brasil, mas também promovem a colaboração internacional em questões de saúde pública.
Além do fomepizol, o governo brasileiro está em processo de aquisição de unidades adicionais de etanol farmacêutico, uma outra substância utilizada no tratamento de intoxicações. Até o momento, foram compradas 4.300 unidades e mais 12 mil ampolas estão programadas para serem entregues na próxima semana. O governo também está negociando a compra de outras 60 mil ampolas.
A situação se torna cada vez mais preocupante: o Ministério da Saúde informou que as notificações de intoxicação por metanol subiram para 127 em todo o país, com 11 casos já confirmados laboratorialmente. Na última sexta-feira (3), os estados da Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul registraram seus primeiros casos suspeitos.
Dentre as notificações recebidas, 12 resultaram em óbitos; um deles confirmado no estado de São Paulo e outros 11 estão sob investigação (oito em São Paulo, um em Pernambuco, um na Bahia e um no Mato Grosso do Sul).
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) reafirmou que o governo está atuando em duas frentes: investigando a origem da crise provocada pelo metanol e garantindo tratamento adequado às pessoas afetadas pela substância. "Estamos empenhados em investigar os fatores que colocaram vidas em risco e oferecer o devido tratamento, além de alertar sobre os sintomas como náuseas e vômitos", ressaltou Alckmin.
A situação destaca a necessidade urgente de atenção à saúde pública e segurança alimentar no país enquanto as autoridades continuam trabalhando para mitigar os riscos associados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.
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