Entidade aponta que a política pública não deve desobrigar a realização do Revalida, que comprovaria tecnicamente as habilidades dos profissionais de outros países

Marina Roveda Publicado em 05/01/2023, às 12h44
O presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes, comentou sobre seu ponto de vista a respeito da possível volta do programa Mais Médicos.
Em entrevista ao jornal Jovem Pan, César acredita que se ocorrer e for do formato anterior, será novamente rejeitado pela classe médica. Isso porque a maior crítica é por os médicos cubanos que vieram para o Brasil terem sido dispensados da revalidação do diploma.
“A impressão que dá, até pela denominação do programa, Mais Médicos, é de que é uma questão meramente quantitativa: se eu tiver mais médicos, independente da qualidade desses médicos, eu resolvo o problema. Foi com essa ideia que vieram para cá os médicos cubanos em grande número, aos milhares, e a esses médicos foi isentada a absoluta necessidade que existe em qualquer país. Isso não é uma posição xenofóbica. É importante que se registre isso. Nós podemos receber médico em quaisquer lugar do país, assim como os médicos brasileiros podem trabalhar em outros países, desde que preencham os requisitos básicos, ou seja, de que eles demonstrem cabalmente e formalmente as suas competências, as suas habilidades para o exercício da medicina”, pontuou.
César defende que, para os “vazios assistenciais’’ - onde a saúde primária não chega -, poderia ser solucionado com a valorização salarial e políticas de Estado de planos de carreira.
“Esse caminho, me parece, passa, necessariamente, pela fixação de médico, de equipe de saúde, de estrutura de saúde, para que a população possa ter uma assistência adequada. O programa Mais Médicos foi um programa que teve uma inaceitação, um certo repúdio da classe médica, e eu acho que reviver esse programa da forma como ele foi concebido não me parece uma boa ideia”, disse.
Ele finalizou destacando que os números de escolasmédicas aumentaram no Brasil, defendendo que há profissionais, mas que a qualificação também deve ser um ponto importante na criação de um novo programa por mais assistência médica em diversos pontos do Brasil.
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