O Cabotegravir é aplicado a cada dois meses em esquema de profilaxia pré-exposição (PrEP)

Vitória Tedeschi Publicado em 10/06/2023, às 13h41
A Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro de novo medicamento ao Cabotegravir, uma injeção aplicada a cada dois meses para previnir a infecção pelo HIV.
Desenvolvida pela farmacêutica GSK, a injeção tem o nome comercial de 'Apretude'. O medicamento funciona como uma profilaxia pré-exposição ao vírus (PrEP). No Brasil, desde 2017, a estratégia é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de comprimidos diários.
De acordo com o jornal O Globo, essa terapia é destinada a grupos considerados de maior risco de exposição ao HIV, como homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo e pessoas em relacionamentos sorodiscordantes (em que um parceiro vive com HIV e o outro não).
O comprimido diário é uma combinação de dois antirretrovirais, tenofovir + emtricitabina, que bloqueiam as vias de infecção pelo HIV. Dessa forma, se o indivíduo for exposto ao vírus, o risco de contaminação é reduzido em mais de 90%.
Segundo o Painel PrEP, do Ministério da Saúde, desde a implementação, até abril deste ano, 81.824 brasileiros acessaram a terapia no país – 89% pela rede pública. No entanto, mais de 22 mil deixaram de aderir à estratégia, por desistirem de seguir com o tratamento a longo prazo.
Por isso, pesquisadores têm investido em novos fármacos capazes de aumentar a aderência do público-alvo, como os de longa duração, que podem ser aplicados em intervalos maiores, ou em formatos de implantes, por exemplo.
Um dos mais avançados nesse sentido até agora é o Cabotegravir, que desde julho do ano passado é indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aos países como uma alternativa mais eficaz da PrEP. Nações como Estados Unidos, Austrália e Zimbabué deram o aval recentemente ao medicamento.
Vale citar que, apesar de a Anvisa ter concedido o registro de novo medicamento, isso não quer dizer que ele será imediatamente oferecido na rede pública. Para isso, ainda é necessária uma avaliação do Ministério da Saúde para decidir se irá incorporar ou não o novo fármaco à estratégia da PrEP no SUS, e desenhar as regras para isso.
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