
por Rodrigo Sayeg
Publicado em 28/03/2023, às 07h41
Caro leitor, infelizmente hoje minha coluna vai ser mais dura do que as últimas, pois parece que o Brasilainda não entendeu sua função como farol da humanidade.
Em uma de minhas leituras, vi o autor em um texto de 2011, narrar com um otimismo contagiante sobre as virtudes do povo brasileiro, que todos nós conhecemos:
Somos acolhedores e fraternos; somos humanose solidários; somos alegres e autênticos; somos criativos e sonhadores; somos esperançosos e intensos; somos bonitos e românticos; e, somos resistentes.[1]
Passados mais de 12 anos dessa listagem das qualidades de nosso povo, infelizmente venho aqui dizer uma triste verdade, parece que não somos mais aquele povo.
Saiu recentemente O Relatório Mundial da Felicidade da ONU, ranking este que elege o país mais feliz do mundo[2], sendo nele avaliado: PIB per capita, Assistência Social, Expectativa de Vida Saudável, Liberdade de Fazer Escolhas, Generosidade e Confiança.
Este relatório, criado em 2012, descrevia o estado de felicidade mundial, as causas da felicidade e da miséria, e as implicações políticas destacadas por estudos de caso.
Pelo sexto ano consecutivo a Finlândia foi eleita nesta segunda-feira (20) como o país mais feliz do mundo, porém este não é o foco da coluna de hoje. O foco é na verdade uma chamada para recuperarmos o nosso espírito brasileiro.
Isso porque, em 2016, apenas 7 anos atrás o Brasil chegou a ocupar o 16º lugar, estando à frente de Países como a Inglaterra, França, Espanha, Irlanda, dentre outros.
Agora, neste ano, foi revelado que caímos 33 posições, chegando ao 49º Lugar de uma lista de 137 posições. Isso é inadmissível.
E não venham falar que isto é culpa dos Governos que vieram e estão aí, uma vez que isto já é história antiga e que seus inúmeros problemas e ineficiências jamais impediram o Brasil de avançar até a 16ª Posição. A culpa é nossa, e não há forma mais clara de demonstrar isso, do que comparando nossa queda ao 49º Lugar com a história da Ucrânia.
Isto porque, além desta queda, o relatório deste ano da ONUcom o ranking também destacou o "aumento da fraternidade na Ucrânia".
"O bem-estar na Ucrânia caiu menos do que em 2014, quando a Rússiaanexou a Crimeia, e isso se deve em parte ao aumento extraordinário do sentimento de fraternidade", disse Jan-Emmanuel De Neve, um dos editores do relatório, em comunicado[3].
Assim, apesar da "magnitude do sofrimento e dos danos na Ucrânia" após a invasão russa em 2022, diz a ONU que existe um "sentimento muito mais forte de que há um propósito comum, existe bondade e confiança na liderança ucraniana", em comparação ao ano de 2014.
De fato, a Ucrânia subiu de posição, de 98° ao 92º lugar, em relação à lista anterior, que foi divulgada antes do início da ofensiva russa.
Enquanto, cá estamos, irmão contra irmão, brasileira e brasileiro contra seus conterrâneos, em uma mentalidade de fla x flu que cada vez mais vai erodindo nossa confiança e nossa sensação de que o Brasil irá para frente. O Resultado é essa queda brusca no ranking de felicidade da ONU.
Parece que, abandonamos a fraternidade que nos fazia tão únicos, e assim, descartamos o acolhimento, o humanismo, a solidariedade, a alegria, a autenticidade, a criatividade, a esperança, a beleza e o romantismo, deixando de resistir contra os avanços cruéis de nossa realidade.
Ao invés do Paraíso, hoje falamos que o Brasil “não é para amadores”, que ele não tem jeito e que temos que aceitar a situação inaceitável de desigualdade, miséria e polarismo que estamos vivendo.
Isso não pode permanecer assim.
Chega de culparmos os outros, ou perguntarmos o que o Estado poderia e pode fazer diferente. Já passou da hora de assumirmos o nosso papel como cidadãos e fazer o que pudermos para avançar o Brasil.
Resumindo, o Brasil já foi uma vez o País da Fraternidade, e foi isso que o fez tão belo. Está na hora de aprendermos com nossos irmãos Ucranianos que, não importa a situação, fraternidade com o próximo é inegociável.
___________
[1] https://blog.panrotas.com.br/b2btech/2011/07/09/quantas-virtudes/
[2] https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/03/20/finlandia-e-eleito-o-pais-mais-feliz-do-mundo-pelo-sexto-ano-seguido.ghtml
[3] https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/03/20/finlandia-e-eleito-o-pais-mais-feliz-do-mundo-pelo-sexto-ano-seguido.ghtml

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