Acredita-se que a SpiN-Tec MCTI UFMG seja mais efetiva que as vacinas atualmente disponíveis contra as novas variantes da Covid

Vitória Tedeschi Publicado em 25/11/2022, às 14h55
Na manhã desta sexta-feira (25), o senador eleito pelo estado de São Paulo e ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes, participou do início dos estudos clínicos em seres humanos da Vacina SpiN-Tec MCTI UFMG, que tem tecnologia desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Com mais de 1 mil pessoas inscritas para participar dos ensaios clínicos voluntariamente, esta será a primeira vacina contra a covid-19 desenvolvida com tecnologia e insumos 100% nacionais e financiada por instituições brasileiras.
No evento, que aconteceu na UFMG, em Belo Horizonte (MG), o secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcelo Morales, fez a aplicação da dose em João Vitor Rodrigues, de 24 anos, o primeiro voluntário.

Por ser uma vacina 100% nacional, vale citar que a SpiN-Tec foi desenvolvida no Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da UFMG em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais (Fiocruz Minas), com investimentos de cerca de R$20 milhões do Governo Federal, no atual mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL), por meio do MCTI, da RedeVírus, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Vale citar que a SpiN-Tec MCTI UFMG representa um legado para o desenvolvimento de imunizantes contra outras doenças no Brasil. Visto que as tecnologias desenvolvidas durante as pesquisas com a SpiN-Tec MCTI UFMG podem ser adaptadas para vacinas que combatem outros agentes causadores de doenças.
Por este motivo, Marcos Pontes acredita que este seja um momento histórico para o país, com a primeira vacina da história desenvolvida no Brasil, país mundialmente conhecido por ser uma referência quando o assunto é vacinação.
"É uma vacina produzida por brasileiros e com financiamento brasileiro", fez questão de enfatizar.

O senador eleito ainda aproveitou para cumprimentar e agradecer o esforço de todos que trabalharam no desenvolvimento da vacina que é símbolo de avanço para o Brasil.
"Quero parabenizar todos que fizeram isso acontecer. Lembro que pouco antes da pandemia, nosso secretário Marcelo Morales, disse que estava surgindo um vírus na China e nós tínhamos que tomar providências imediatas. Foi o que fizemos, criando a Rede Vírus MCTI, no dia 10 de fevereiro de 2020. Um mês antes de ser declarada a pandemia no dia 11 de março de 2020. Quando o vírus chegou no Brasil, a gente já tinha um grupo de cientistas reunidos no Ministério pensando quais seriam as estratégias que poderíamos adotar no ponto de vista de ciência contra o covid-19", relembrou Marcos.
Os ensaios estão sendo coordenados pelo professor Helton Santiago, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, e serão realizados na Unidade de Pesquisa Clínica em Vacinas (UPqVac), sob a liderança do professor Jorge Andrade Pinto, da Faculdade de Medicina da UFMG.
Foi aberto no último dia 17 deste mês o cadastro para pessoas que desejam participar, como voluntárias, das fases 1 e 2 dos testes clínicos da SpiN-Tec MCTI UFMG. O início do recrutamento de voluntários se iniciou logo após a aprovação do sistema CEP/Conep (Comitês de Ética /Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), instância de avaliação ética em protocolos de pesquisa com seres humanos.
Em menos de dez dias, mais de 1 mil pessoas se inscreveram para a triagem. Vale lembrar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia autorizado a realização dos testes clínicos desde outubro deste ano.
Os pesquisadores acreditam que a SpiN-Tec MCTI UFMG seja mais efetiva que as vacinas atualmente disponíveis no Brasil contra variantes do SARS-CoV-2, como a Ômicron e subvariantes.
Isso porque, ela conta com um antígeno (substância que desencadeia a produção de anticorpos) que inclui duas proteínas do vírus SARS-CoV-2, causador da covid-19. Uma é a proteína Spike (S) e a outra é o nucleocapsídeo (N), o que explica o nome SpiN.
"As vacinas de covid-19 em uso geram respostas de anticorpos neutralizantes. Já a SpiN-Tec MCTI UFMG foi desenvolvida para induzir resposta dos linfócitos-T, ou seja, ela gera uma resposta contra várias partes da molécula do vírus, e não apenas contra um de seus segmentos, como ocorre com as vacinas atuais", explica Ricardo Gazzinelli, coordenador do projeto e do CTVacinas da UFMG, também pesquisador da Fiocruz.
Por essa particularidade, o imunizante também tem alta estabilidade, o que possibilita que seja mantida a 4°C, como outras vacinas, e facilita a distribuição para lugares longínquos.
Além dos inúmeros benefícios para o Brasil, o desenvolvimento desta vacina ainda se mostrou um pontapé na vacinação do país. Isso porque desenvadeou uma parceria entre a UFMG e o MCTI, que serão responsáveis por transdormar o CTVacinas em um centro nacional de vacinas, com recursos que totalizam R$ 80 milhões.
A ideia é que o local seja um centro de desenvolvimento de projetos de inovação nas áreas de imunizantes – incluindo novas plataformas vacinais, de kits diagnósticos e de fármacos, com foco na transferência tecnológica para empresas e instituições que atuem no mercado de saúde. Pesquisadores que trabalham com o desenvolvimento de imunizantes em todo o território nacional poderão utilizar a estrutura.
Para o desenvolvimento da vacina muitas instituições e personalidades se moveram, entre elas: a RedeVírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a Prefeitura de Belo Horizonte, que repassou R$ 30 milhões, parlamentares da bancada mineira no Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizaram o aporte de cerca de R$ 20 milhões.
Colaborara, ainda, a ALMG, que repassou outros R$ 30 milhões oriundos do acordo firmado entre o Estado de Minas Gerais e a Vale (Lei 23.830, de 28/07/2021), as fundações de amparo à pesquisa dos estados de Minas Gerais e de São Paulo (Fapemig e Fapesp), a Fundação Ezequiel Dias (Funed), o Laboratório Nacional de Biociências (LNBIO), o Centro de Inovação, o Ensaios Pré-Clínicos (Cienp) e o Laboratório Cristália.
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