Sem data definida, encontro deve tratar da sobretaxa de 50% imposta pelos EUA; Planalto considera iniciar diálogo por telefone ou videoconferência antes de reunião presencial

Lívia Gennari Publicado em 29/09/2025, às 09h04
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira (29), que ainda não há definição sobre a data nem o formato da conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da sobretaxa de 50% aplicada pelo norte-americano a produtos brasileiros.
Em entrevista à rádio CBN, Alckmin ressaltou que as negociações estão em andamento e destacou a relevância do diálogo.
Não tem ainda informação sobre a data e o tipo do encontro, mas entendo que ele é um passo importante para a gente poder avançar”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin tem acompanhado de perto as tratativas com os norte-americanos e se mostrou otimista quanto a um possível entendimento. Na semana passada, em evento no BNDES, no Rio de Janeiro, ele afirmou que a “boa química” entre Lula e Trump pode facilitar o diálogo. Segundo o vice-presidente, mesmo breve, a conversa entre os dois líderes em Nova York foi positiva e abriu espaço para uma aproximação.
A possibilidade de um encontro foi mencionada pelo próprio Trump, durante a Assembleia Geral da ONU, realizada na última terça-feira (23), em Nova York. O republicano afirmou ter tido uma rápida conversa com Lula no evento e que ambos haviam concordado em se falar nesta semana. A informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente por nenhum dos dois governos.
No Palácio do Planalto e no Itamaraty, a avaliação é de que um primeiro contato por telefone ou videoconferência seria mais adequado antes de uma reunião presencial. Embora não esteja descartada, a possibilidade de um encontro cara a cara, enfrenta desafios logísticos, já que visitas de chefes de Estado exigem meses de planejamento. Outra opção seria realizar o encontro em território neutro, ou seja, em outro país, aproveitando viagens internacionais.
Auxiliares presidenciais avaliam que uma reunião inicial poderia servir para esclarecer pontos de divergência, buscar consensos e construir uma relação de confiança entre os dois líderes. O governo brasileiro aposta que essa estratégia pode ajudar a reduzir tensões comerciais e avançar na negociação para reverter a sobretaxa que, há quase dois meses, encarece a entrada de produtos nacionais no mercado norte-americano.
O desenrolar dessas negociações é estratégico, já que qualquer avanço pode impactar diretamente o comércio entre Brasil e Estados Unidos.
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