Após aumento de 50% nas tarifas, governo brasileiro apresenta plano para proteger exportações e empresas nacionais

William Oliveira Publicado em 13/08/2025, às 13h27
Em decorrência da imposição de tarifas unilaterais pelos Estados Unidos, o governo brasileiro divulgou nesta quarta-feira (13) um plano estratégico para proteger as empresas nacionais.
O anúncio ocorreu uma semana após a implementação de um aumento tarifário de 50% sobre as exportações brasileiras para o mercado americano. As medidas foram elaboradas pela equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos dias que antecederam a divulgação.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que coordena a resposta do Brasil ao “tarifaço”, destacou durante o evento a expansão do programa Reintegra, que oferece incentivos tarifários a todas as empresas. Micro e pequenas empresas poderão receber reembolso equivalente a 6% do valor das exportações, enquanto as maiores terão retorno de 3%.
Estima-se que cerca de 36% das exportações brasileiras sofrerão a sobretaxa de 50% para acessar o mercado dos EUA, conforme informou Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A sanção comercial faz parte de uma série de medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump, que afetam diversos parceiros comerciais, incluindo União Europeia, China e Índia.
Inicialmente, a aplicação das tarifas estava programada para 1º de agosto, mas o prazo foi prorrogado para 6 de agosto. Na véspera da implementação, Trump assinou uma ordem executiva oficializando a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, além de isentar cerca de 700 itens da taxação adicional.
Sobre o Tarifaço
Em 31 de julho, o presidente dos EUA formalizou a aplicação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Essa taxa é a soma da alíquota prévia de 10%, anunciada em abril, mais 40% adicionais. Quase 700 produtos foram isentos da sobretaxa de 40%, incluindo suco de laranja, aeronaves, castanhas, petróleo e minério de ferro, mantendo apenas a taxa inicial de 10%. As novas tarifas passaram a valer em 6 de agosto.
Em 2024, o Brasil importou produtos norte-americanos no valor de US$ 40,6 bilhões e exportou US$ 40,4 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 200 milhões, contrastando com as alegações da administração americana.
Por essa razão, o governo brasileiro considera que a sobretaxa de 50% é desproporcional em relação à balança comercial, que favorece os EUA.
“Não tem o menor cabimento ter uma tarifa para entrar no Brasil de 2,7% e 50% nos Estados Unidos”, afirmou Alckmin.
Para contornar a situação, o governo Lula optou por uma postura conciliatória, rejeitando qualquer retaliação, e busca fortalecer a proteção das empresas brasileiras no processo exportador para outros mercados além dos EUA.
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