O presidente dos EUA destacou a boa química com Lula, apesar das tensões comerciais e críticas ao sistema judiciário brasileiro

Gabriela Thier Publicado em 23/09/2025, às 18h36
Nesta terça-feira (23), durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que se reunirá na próxima semana com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro tem como objetivo discutir as retaliações comerciais impostas pelos EUA em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante sua fala, Trump não apenas elogiou seu próprio governo, mas também teceu comentários sobre a relação com Lula, destacando que houve uma "química excelente" entre eles. "Estávamos nos cruzando no plenário da ONU quando nos cumprimentamos. Ele me pareceu um homem muito agradável", declarou o presidente americano.
Trump descreveu o breve encontro como positivo, mencionando que tiveram apenas cerca de 20 segundos para conversar, mas sentiu uma boa conexão. "Quando gosto de alguém, faço negócios com essa pessoa. E parece que nós dois temos uma boa química", afirmou Trump.
Fontes do governo brasileiro confirmaram a reunião prevista, embora detalhes sobre se será presencial ou virtual ainda não tenham sido divulgados. Essa conversa ocorrerá em um momento marcado por tensões nas relações entre os dois países, especialmente desde julho, quando o presidente norte-americano anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
Além de tratar de questões comerciais, o discurso de Trump na ONU incluiu críticas ao sistema judiciário brasileiro e alegações de repressão política. Ele afirmou que o Brasil enfrenta consequências severas devido a ações que interferem nos direitos e liberdades dos cidadãos americanos. "O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos", disse Trump.
A reunião entre os dois líderes será a primeira conversa direta desde o início da crise tarifária. Embora Trump tenha demonstrado disposição para dialogar com Lula anteriormente, o cenário se agravou após a imposição das tarifas. Em uma carta enviada ao presidente brasileiro em julho, ele justificou a medida como uma resposta a um "processo de caça às bruxas" contra Bolsonaro.
No que diz respeito à Assembleia Geral da ONU, Trump ultrapassou o limite recomendado de 15 minutos para discursos, falando por mais de uma hora e abordando diversos temas que vão desde suas políticas econômicas até críticas à própria ONU. Ele reforçou sua posição em relação à imigração e negou a existência do aquecimento global, alegando que seu governo trouxe prosperidade aos Estados Unidos.
Ao criticar a ONU, Trump argumentou que a organização não cumpre seu papel adequadamente e cria novos problemas em vez de resolvê-los. Ele também fez menção à sua visão sobre conflitos globais, sugerindo ter encerrado guerras sem a ajuda da ONU e se referindo à necessidade de ação internacional contra a migração descontrolada.
Por fim, as declarações de Trump durante sua participação na Assembleia Geral também incluíram críticas à Rússia e à China, assim como comentários sobre a situação no Oriente Médio e a Palestina. As repercussões dessas falas estão sendo amplamente discutidas no cenário político internacional.
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