O ex-chefe do GSI deixou a sede da Polícia Federal na tarde desta sexta-feira (21)

Thais Bueno Publicado em 21/04/2023, às 16h32
No início da tarde desta sexta-feira (21), próximo ao horário das 13h30, o general Gonçalves Dias, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi embora da sede da Polícia Federal, em Brasília (DF), após quase cinco horas.
Gonçalves Dias prestou depoimento por pouco menos de cinco horas após um inquérito, que investiga os atos antidemocráticos às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro, ter sido aberto. Em declaração para a TV Globo depois que deixou o local, ele comentou:
"O comparecimento na sede da Polícia Federal é, para mim, uma grande oportunidade de esclarecer os fatos que têm sido explorados na imprensa".
O general também ressaltou que não teve nenhum tipo de responsabilidade, seja por omissão ou por meio de uma ação própria, com relação aos ataques golpistas que ocorreram no dia 8 de janeiro deste ano, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas.
"Confio na investigação e na Justiça, que apontarão que eu não tenho qualquer responsabilidade seja omissiva ou comissiva nos fatos do dia 8 de janeiro", afirmou Gonçalves Dias.
O depoimento do político teve início próximo ao horário das 9h00 e foi uma determinação de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e também relator das investigações na Suprema Corte.
Para quem não soube, na última quarta-feira (19), Dias pediu demissão do GSI da Presidência da República depois de ter feito uma reunião com o presidente Lula e chefes de outras pastas no Palácio do Planalto.
O pedido aconteceu, segundo informações do portal G1, após um vídeo em que o ex-chefe do GSI aparece em uma das sedes do Executivo, circulando entre os invasores nos atos que aconteceram no dia 8 de janeiro. As imagens foram publicadas pela CNN Brasil.
Na gravação divulgada, é possível ver Gonçalves Dias abrindo uma porta que fica perto do gabinete da presidência para que os golpistas saíssem. Também foi visto que alguns profissionais do GSI estavam cumprimentando e entregando água para os invasores.
Vale mencionar também que a CNN, inicialmente, tinha publicado as imagens com um borrão, afirmando ter feito isso porque decidiu "não identificar os militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)".
No entanto, durante a última quinta-feira (20), as filmagens foram totalmente divulgadas, sem nenhum tipo de edição e totalmente claras.
No dia de sua demissão, na última quarta-feira (19), Gonçalves Dias decidiu se justificar. Em entrevista para a Globo, ele alegou que estava no Palácio do Planalto naquele dia para que pudesse ajudar na retirada dos vândalos do local.
"Eu entrei no Palácio [do Planalto] depois que o palácio foi invadido e estava retirando as pessoas do 3º e 4º piso, para que houvesse a prisão no 2º".
Segundo as própria palavras do ex-chefe do GSI, as imagens divulgadas foram retiradas totalmente de contexto. "Fizeram um corte específico na produção, na produção dos vídeos que vocês olharam".
Além disso, ainda durante seu relato, ele pontuou que os militares que aparecem ajudando manifestantes devem sofrer as devidas consequências. "Quem tiver algum envolvimento, que seja punido. Inclusive aquele major. Aquilo é um desvio de atitude aqui de dentro".
O major a quem Gonçalves Dias estava se referindo é José Eduardo Natale de Paula Pereira. Ele era o coordenador de segurança de instalações dos palácios presidenciais e estava trabalhando no Palácio do Planalto no domingo, dia 8. Foi justamente ele que foi visto dando água para os golpistas.
"Ninguém fala, mas nós preservamos praticamente o terceiro piso todinho. O coração do Planalto, que é a sala do presidente, ela foi preservada. Toda a ala do gabinete pessoal foi preservada e o quarto piso foi preservado por completo desses invasores", finalizou o general.
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