O Diário de S. Paulo participou do evento para Dia Internacional Contra Discriminação Racial que contou com a presença do Prefeito Ricardo Nunes

Mateus Omena Publicado em 21/03/2023, às 14h29
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) esteve presente no lançamento de documento com orientações pedagógicas antirracistas para professores da rede municipal, nesta terça-feira (21).
O evento marca o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial e ocorreu na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo.
A ocasião reuniu os secretários municipais de Relações Internacionais, Marta Suplicy (MDB); de Educação, Fernando Padula; de Cultura, Aline Torres; e de Justiça, Eunice Prudente.
Em seu discurso, Ricardo Nunes enfatizou que o combate ao racismo é uma das principais pautas do poder público, diante dos desafios que não apenas a capital paulista, mas todas as regiões do país enfrentam em relação à discriminação e violência contra afrodescentes.
Por outro lado, o político lamentou que São Paulo não tenha uma data específica para refletir sobre esse compromisso, por isso, segundo Nunes, a Prefeitura se dispõe a celebrar a ocasião, com o intuito de conscientizar a população e manter a discussão presente para orientar as ações do governo ao longo do ano.
“Isso faz parte da nossa política pública durante os 365 dias do ano. É algo que torna São Paulo o farol de todas as pessoas, pois tudo que fazemos aqui repercute em todas as cidades do país e do mundo. Tanto o que temos de preocupação, quanto o que ainda temos para caminhar e ações para desenvolver”, disse o prefeito.
“A ocasião é de grande importância, porque é um olhar para a história de tantas pessoas que sofreram agressões, para que pudessemos ter um alerta para questões relevantes como o racismo. Na cidade de São Paulo não esquecemos disso e não podemos deixar isso passar”.
Nunes apontou que o programa fundamental de educação deve atingir mais de 1 milhão de alunos de escolas municipais, para que as crianças possam participar da discussão sobre racismo e igualdade. Além disso, o projeto visa preparar os professores para lidar com a problemática dentro e fora da sala de aula, com materiais didáticos de apoio para os educadores e os jovens.
Segundo o gestor, a Prefeitura adquiriu, só no ano passado, mais de 700 mil livros que abordam questões etnico-raciais. Mesmo assim, ele reforçou que a maior mudança de valores depende de um trabalho coletivo.
“Eu não tenho dúvida nenhuma que cada um de nós podemos fazer nosso papel e nos dedicar nessa missão, para fazer com que São Paulo se torne uma referência no combate ao racismo", defendeu.
Para Nunes, essa mudança de mentalidade e compartamento pode impulsionar o aprimoramento de medidas contra a discriminação racial e novas políticas públicas focadas nesse crime para os próximos anos.

Durante o evento, a secretária municipal de relações internacionais, Marta Suplicy, também aproveitou para homenagear relevantes personalidades representativos na luta contra a discriminação e o racismo.
A gestora exaltou figuras globais como a poeta peruana Victoria Santa Cruz e o ativista sul-africano Nelson Mandela e o estadunidense Martin Luther King. Além de artistas e escritores nacionais de grande influência, como Conceição Evaristo, Lázaro Ramos e Taís Araújo. Assim como importantes nomes na história brasileira, como o advogado Luís Gama e o escritor José do Patrocínio.
“Saber que o currículo da cidade de São Paulo de educação ação antirracista e dos povos afro-brasileiros inclui ensinamentos sobre os povos ligados às vozes negras do mundo mostra o quanto São Paulo está em uma posição de vanguarda na luta contra a discriminação”, declarou Marta.
Marta recordou que, em 2023, faz 20 anos da implementação da Lei 10.639/2023, que determinou que todas as escolas do município tenham disciplinas e programas que tratem da história e cultura afro-brasileira em seus currículos.
“A implementação desse tipo de iniciativa é desigual entre as cidades, mas São Paulo está à frente, já aprofundando o ensino dessas matérias que têm um efeito direto nas desigualdades raciais, porque estimula uma reflexão sobre a injustiça e o racismo”, disse. “Essa luta é uma tarefa diária e permanente da nossa sociedade contra um problema que precisa ser vencido”.
A secretária e o prefeito também anunciaram a 3º Expo do Dia da Consciência Negra que, segundo Marta, celebrará, em novembro, o aniversário da lei de educação antirracista nas escolas paulistanas.
A iniciativa faz parte do programa criado pelo prefeito Ricardo Nunes, em 2021, chamado “São Paulo, Farol de Combate ao Racismo”, que promove reflexões sobre igualdade racial e combate de preconceitos, por meio de projetos de educação, cultura e artes.
“É um compromisso com todos os cidadãos, mas especialmente com a população negra, que tem grande expressão nesta cidade e que foi fundamental para a construção dela e de todo o Brasil. O país tem uma divida histórica com o povo negro, que se espalha em todos os setores do cotidiano”.
A celebração contou também com a presença da vereadora Elaine do Quilombo Periférico (PSOL) que, em seu discursou, ressaltou que os esforços educacionais na luta antirracista contribui para a mudança de valores e isso afeta o cenário político.
De acordo com ela, o movimento contra a discriminação racial tem contribuído para agitar os ânimos na Câmara Municipal de São Paulo, convencendo cada vez mais vereadores a apoiarem medidas contra o racismo.
“Eu acredito que ainda temos um longo caminho a percorrer como sociedade brasileira contra a discriminação racial, para ser antirracista de fato. Mas é importante levar em conta as iniciativas que são frutos de uma luta histórica que tem ocorrido nesse país, para reduzir as desigualdes e acabar com a discriminação”.
A vereadora também enumerou ações da Câmara para esse compromisso pela igualdade e os desafios que ainda estão por vir.
“Neste ano, a Câmara Municipal conseguiu destinar, graças ao trabalho desenvolvido na Comissão de Orçamento, mais de R$ 3 milhões para o currículo antirracista”.
E acrescentou: “Embora seja um valor pequeno, é importante levar em conta que desde 2004 não tínhamos um valor tão substancial. É por isso que tenhamos esse espaço para continuarmos nossa luta, para olharmos para problemas de invisibilidade de nossas práticas e culturas. Apostamos que o conhecimento é o poder e a educação é o caminho fundamental para construirmos”.
Depois do evento, a Prefeitura anunciou que vai distribuir cerca de 128 mil bonecas, com o propósito de aproximar as crianças das culturas dos povos originários, como africanos e andinos.
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