A história de Gisèle Pelicot tem gerado grande repercussão tanto na França quanto em outros países

Manoela Cardozo Publicado em 20/09/2024, às 12h10
Gisèle Pelicot deixou o tribunal aplaudida e comovida após mais uma sessão de julgamento na França, na última terça-feira (17).
Conforme a BBC News, aos 72 anos, a mulher que foi drogada pelo marido e abusada sexualmente por dezenas de homens ao longo de mais de uma década, curvou-se em gesto de agradecimento pelo apoio que recebeu do público presente.
O caso de Gisèle tem gerado grande repercussão tanto na França quanto em outros países, mobilizando a opinião pública e protestos contra a violência sexual.
Desde o início do julgamento, em 2 de setembro, Gisèle Pelicot tem sido uma figura central no processo que acusa 51 homens de estupro e abuso sexual. Entre os acusados, está seu ex-marido, Dominique Pelicot, com quem foi casada por 50 anos.
De acordo com a vítima, Dominique a drogava para que ela fosse abusada sexualmente por vários homens, tratando-a, segundo suas palavras, como uma “boneca de pano”. Em depoimento, o próprio Dominique admitiu as acusações e confessou: “Eu sou um estuprador”.
A decisão de Gisèle de renunciar ao direito ao anonimato permitiu que os detalhes do caso fossem amplamente divulgados pela mídia. Sua equipe de advogados explicou que tornar o julgamento público tinha como objetivo expor a “vergonha” dos agressores, ao invés de esconder a vítima. Isso também possibilitou que vídeos das agressões filmadas por Dominique fossem exibidos nas audiências. A única condição imposta por Gisèle foi que seus filhos não assistissem às cenas gravadas.
O julgamento, que deve durar até dezembro, já conta com o depoimento de advogados, policiais, psiquiatras e de outra mulher que também foi drogada e estuprada, seguindo o mesmo padrão de abuso planejado por Dominique Pelicot.
O caso gerou uma onda de protestos na França, com muitas manifestações em apoio a Gisèle e em repúdio à violência contra as mulheres. “Ela se tornou um símbolo de bravura e coragem”, afirmou Anna Toumazoff, uma das organizadoras dos protestos.
Toumazoff destacou o sacrifício pessoal de Gisèle ao abrir mão de sua privacidade para que outras mulheres não sintam vergonha de denunciar seus agressores. “Ela está fazendo isso por outras vítimas, para garantir que elas nunca tenham vergonha de denunciar”, concluiu.
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