
por Kleber Carrilho
Publicado em 01/04/2023, às 10h50
Embora os assuntos da semana no Brasiltenham sido o retorno de Jair Bolsonaro e o arcabouço fiscal do governo Lula 3, peço licença para falar novamente sobre um tema externo, mas com importância mundial: o crescimento da extrema direita na Europa, e mais especificamente na Finlândia, onde estou acompanhando o processo eleitoral que termina amanhã, dia 2 de abril.
Para quem teve alguma notícia sobre este país nórdico nos últimos anos soube que, além de ser considerado o mais feliz do mundo, ele foi governado desde 2019 por uma liderança jovem feminina, a primeira-ministra Sanna Marin. Ocorre que, quando ela assumiu o governo, substituiu o líder anterior, que foi forçado a renunciar devido a uma denúncia de corrupção.
Mesmo com a fama internacional e a competência ao lidar com a pandemia, ela viu os questionamentos ao seu partido social-democrata (SDP) aumentarem, devido à questão de desvio de recursos do líder anterior, mas também porque há questionamentos sobre a uma possível falta de eficiência de programas de proteção social. Isso ocorreu através do seu principal concorrente, o Partido da Coalizão Nacional (direita democrática), e também foi vociferado, com um discurso populista, pelas lideranças do partido de extrema-direita.
Agora, nas pesquisas, os três partidosaparecem tecnicamente empatados, com cerca de 20% das intenções de voto cada. Portanto, muita coisa pode acontecer, porque aqui, por ser um país parlamentarista, os partidos que conseguem se juntar para construir uma maioria formam o governo, em geral liderado pelo partido que teve o maior número de votos.
E as perguntas que não querem calar são:
1) Se o partido da direita democrática precisar da extrema direita para formar um governo, ele faria essa aliança?
2) Se o partido de extrema direita chegar à frente, a direita democrática aceitaria formar com ele uma maioria e consequentemente participar do governo?
3) Se o partido de centro-esquerda, da primeira-ministra Sanna Marin, chegar à frente, ela vai conseguir juntar partidos que garantam maioria, mesmo depois de se indispor com o partido de centro, que fez parte do atual governo?
O problema é que os finlandeses são famosos por cuidar de cada problema de uma vez, não tendo a nossa característica de tentar adivinhar o futuro. Sempre que pergunto para alguma liderançapolítica sobre o que pode acontecer, ouço a mesma coisa: “Vamos aguardar a eleição. Depois pensamos nisso”.
Portanto, agora chegou a eleição. Embora a Finlândia não seja um país grande, nem tenha tanta importância econômica para o mundo, é um exemplo de Estado de Bem-Estar Social e de social-democracia. Isso quer dizer que, mais do que um resultado local, o reflexo pode se juntar aos resultados negativos que movimentos democráticos tiveram no mundo nos últimos anos e dar uma esperança ainda maior aos radicais de extrema direita, inclusive no Brasil.
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