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Biden, Trump e a performance da idade

Trump e Biden. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews
Trump e Biden. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews
Kleber Carrilho

por Kleber Carrilho

Publicado em 29/06/2024, às 06h00


Há alguns dias, vi uma entrevista do Mauricio de Sousa, em que ele falava de planos para a Turma da Mônica e para a empresa que criou e geriu. Fiquei pensando na idade: mesmo aos quase 90 anos, falar de futuro era algo muito natural para ele. Da mesma forma, esta semana, li que a escritora Ruth Rocha, aos 93 anos, renovou o contrato que tem com a editora por mais 15 anos, dizendo que ainda tem muita coisa para fazer e não vislumbra a aposentadoria.

Falei desses exemplos, porque o que vou dizer a seguir não tem relação com a idade, mas com a representação dela. Afinal, nem Mauricio de Souza nem Ruth Rocha precisam estar com a forma física jovial para fazer o que fazem. Mas será que é a mesma coisa para quem tem que performar liderança?

Ao vermos as cenas do presidente dos EUA Joe Biden, fica claro que a fragilidade dele é um ponto essencial na discussão sobre uma possível reeleição. No debate de quinta-feira, isso ficou ainda mais nítido: mesmo com argumentos muito mais claros do que o oponente, a aparente fragilidade na voz, o olhar às vezes perdido e uma desorganização em algumas falas, além da não utilização do tempo total a que tinha direito, colocam em dúvida a capacidade de ser reconduzido ao cargo.

E, mais do que qualquer outro papel sobre o qual falamos antes, a Presidência exige um comprometimento total durante quatro anos. Será que é possível acreditar que Biden conseguirá liderar o país mais poderoso do mundo até 2029?

Donald Trump, três anos mais jovem, parece mais saudável e, consequentemente, não é visto com a mesma dúvida. E, mesmo com uma repetição pouco racional, mostrando argumentos vagos sobre problemas sérios, como a crise climática, além de não ter respondido a grande parte das perguntas feitas, claramente pode ser visto como o vencedor do debate.

Se isso vai dar uma vitória fácil para Trump não dá para saber, pois a eleição será claramente sobre rejeição. Porém, o que é fundamental é perceber que as estruturas partidárias dos EUA não deram conta de preparar possíveis substitutos aos dois candidatos.

No caso do Partido Democrata, que parece mais grave, a vice Kamala Harris não consegue ser unanimidade nem dentro do partido, que também não tem outro nome para a sucessão ideológica, a não ser um ainda quase desconhecido governador da Califórnia, Gavin Newsom, que também convive com inúmeros problemas de gestão, principalmente em relação à segurança pública.

E este é um recado também para o Brasil, principalmente para o Partido dos Trabalhadores. Embora Lula esteja aparentemente saudável, ele já beira os 80 anos. Se houver qualquer problema até 2026, será que existem nomes para substituí-lo?

Neste aspecto, parece-me que a direita está mais preparada, mesmo que tenha sido obrigada a isso devido à impossibilidade de Jair Bolsonaro de concorrer à Presidência.

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