
por Kleber Carrilho
Publicado em 08/06/2024, às 08h03
Neste fim de semana, acontece a eleição para o Parlamento Europeu. Cada um dos 27 países da União Europeia escolhe seus representantes, que formam uma assembleia de 720 cadeiras, com mandato de cinco anos, para negociar regras deste que é o maior bloco integrado do mundo, com mais de 400 milhões de habitantes.
Se excluirmos a Índia, que teve eleições na última semana e talvez ainda não tenha um ambiente tão democrático, a eleição do Parlamento Europeu é o maior exercício democrático do mundo.
E, já que não tem como se isolar do resto do mundo, a grande ameaça à União Europeia neste momento é a polarização e uma presença cada vez maior de representantes da direita radical. O problema é que, fundada nos pilares da democracia liberal e tendo como referência principal a construção do Estado de Bem-Estar Social, o fortalecimento dos ultraconservadores coloca em xeque a própria existência da União Europeia.
Pesquisas indicam que, em diversos países, alguns com grandes números de assentos no Parlamento, como Alemanha, França, Espanha e Itália, os partidos tradicionais poderão ser ameaçados. Em democracias mais recentes, como no Leste ex-comunista, esses partidos estão crescendo muito e em alguns até tendem a ser maioria. Até mesmo nos países nórdicos, tão ligados às conquistas sociais, é possível que a extrema direita tenha cerca de 20% dos votos e dos assentos.
E essa ameaça acontece principalmente a partir do uso das redes sociais, principalmente aquelas baseadas em vídeos curtos, como o TikTok e os Reels do Instagram, onde os partidos da extrema direita conseguem engajar todos os tipos de públicos, especialmente os mais jovens, mesmo aqueles que não tinham anteriormente identificação ou comportamento conservador.
No Hub de Emoções, Populismo e Polarização da Universidade de Helsinque, onde trabalho como pesquisador, temos observado que o domínio da linguagem preferida pelos algoritmos pode ameaçar o equilíbrio fundamental para a existência da democracia, como já aconteceu nos EUA em 2016 e no Brasil a partir de 2018. Isso para não mencionar o que ocorreu na própria Europa, quando um dos membros mais importantes, o Reino Unido, saiu do bloco após um referendo em que a estratégia de uso das redes favoreceu apenas um dos grupos.
Portanto, se os resultados se confirmarem, será necessário renegociar os grupos, aproximar a esquerda do centro e mesmo da centro-direita, para criar frentes amplas para combater as ameaças, além de entender como usar as novas tecnologias para alcançar os públicos mais jovens, principalmente os homens.
Assim como no Brasil, essas alianças não são fáceis, pois exigem que adversários históricos estejam no mesmo barco. Veremos!
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