O Corinthians saiu vitorioso nas penalidades máximas na época

Thais Bueno Publicado em 10/04/2023, às 19h12
No ano de 2018, um Derby decidiu quem seria o campeão do Paulistão. Corinthians e Palmeiras se enfrentaram no dia 8 de abril daquele ano e o alvinegro acabou saindo vitorioso, em pleno Allianz Parque, nas penalidades máximas.
Contudo, aquela final foi cheia de polêmicas, e o Verdão reclamou muito contra a arbitragem da grande final.
O que gerou revolta nos palmeirenses foi o seguinte: o Timão estava vencendo a partida por 1x0 e levando a decisão para os pênaltis.
No segundo tempo, Ralf teria cometido um suposto pênalti em Dudu e Marcelo Aparecido de Souza, comandante do apito, marcou a falta, o que já irritou os jogadores do Corinthians. Porém, depois de alguns minutos sem bola rolando, o juiz decidiu anular o pênalti para o alviverde.
Em entrevista ao podcast Resenheira durante o último sábado (08), o árbitro do duelo se pronunciou cinco anos depois do título corinthiano. Ele deu mais detalhes de como foi todo o lance envolvendo a cobrança decisiva e explicou que tinha até um ‘plano’ para mandar o pênalti voltar.
“Primeiramente, não houve interferência. Não houve interferência nenhuma. Isso foi criado por um ex-árbitro em uma emissora de televisão. Ele criou essa teoria da conspiração. O meu erro foi o que, chega um momento da partida, que você não pode acelerar. Tem que (gesto com as mãos de calma)”, começou.
“Eu tenho uma característica de deixar o jogo rolar. Tanto que o Moisés sofre a falta, o lance segue e acontece a cena do Dudu. Eu não vejo o toque na bola do Ralf. Durante meus 20 anos de arbitragem, a premissa do toque na bola é a mudança de duração. E não houve”.
“Eu marco com convicção, mas eu tenho total controle sobre tudo, atletas, estádio. Eu marco num impulso. Marquei por que eu não vi a mudança de direção. Ela mudou a velocidade, a rotação. Eu sei as lideranças da equipe, quem é quem. O Cássio, o Balbuena, o próprio Ralf, mas o Cássio veio imediatamente e eu senti que eu errei. Mas o que eu ia fazer?”, detalhou o árbitro.
Marcelo, então, decidiu revelar qual era o plano que tinha na cabeça para que o Palmeiras não empatasse a partida em 1x1. Isso porque, caso o Verdão marcasse, teria sido campeão ainda no tempo normal, visto que tinha vencido o jogo na Neo Química Arena, casa do rival, por 1 a 0.
“Eu tinha um plano na minha cabeça. Vai bater e se não pegar, vai voltar. Alguém vai invadir a área. Sempre invade. Se defender, segue o jogo. Se fizer, volta de novo. Mas, se bater de novo e marcar, aí não tem o que fazer”.
Após marcar o pênalti, o juiz da grande decisão revelou que ouviu, através do rádio, um chamado de Adriano de Assis Miranda, quarto árbitro, que comentou pela comunicação que Ralf tinha acertado a bola, não Dudu; sendo assim, ele tinha errado na marcação da penalidade.
“Quando eu consigo me aproximar, ele me disse: ‘Para mim, Marcelo, o Ralf pega a bola, mas a decisão é sua’. Vamos fazer a coisa certa. Eu sei que eu errei, vamos voltar. Você percebe quando um atleta quer levar vantagem. O Dudu era um cara que sabia que tinha acertado a bola e tinha cavado. Você não via convicção nele”.
“Ele costumeiramente costuma fazer isso. O Dudu não ia fazer o pênalti. Tanto que na primeira cobrança ele erra. O Cássio sabia onde ele batia...”, concluiu o juiz.
Vale mencionar que a diretoria do Palmeiras ficou revoltada com a decisão do árbitro de campo e resolveu montar um arquivo com diversas fotos e vídeos que, na visão do clube, trariam provas de uma suposta interferência externa no lance do pênalti, e tentou ganhar a decisão no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD).
No entanto, a denúncia não foi para a frente pois foi alegado que o alviverde não conseguiu provar que o título tinha sido “comprado”.
Quando o caso chegou ao seu fim, em setembro daquele ano, Com o caso encerrado, o Palestra Itália até emitiu uma nota oficial, em que afirmou ter “demonstrado, de maneira inequívoca, a interferência externa na atuação da arbitragem na final do Campeonato Paulista”.
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