Tratado amplia presença do Brasil no comércio global e beneficia principalmente a indústria nacional

Letícia Sales Publicado em 19/01/2026, às 10h42
Mais de cinco mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que entrar em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que vê no tratado um avanço significativo para a inserção internacional da indústria brasileira.
De acordo com levantamento da entidade, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do acordo passarão a entrar no mercado europeu sem tarifas logo na implementação do tratado. No sentido inverso, o Brasil e os demais países do Mercosul contarão com prazos mais longos para reduzir suas tarifas, variando entre 10 e 15 anos para cerca de 44% dos itens negociados.
Para a CNI, esse modelo cria uma abertura comercial gradual e previsível, permitindo que a indústria nacional se adapte ao novo cenário competitivo, com investimentos em modernização produtiva e tecnológica antes da liberalização total de setores considerados sensíveis.
O acordo também amplia de forma expressiva o alcance dos produtos brasileiros no comércio internacional. Atualmente, os tratados preferenciais firmados pelo Brasil cobrem cerca de 8% das importações globais de bens. Com a entrada em vigor do acordo com a União Europeia, esse percentual deve saltar para 36%, impulsionado pelo peso do bloco europeu, que respondeu por aproximadamente 28% do comércio mundial em 2024.
Os dados citados pela confederação mostram que a indústria ocupa papel central na relação comercial entre Brasil e União Europeia. Em 2024, quase metade das exportações brasileiras ao bloco foi composta por bens industriais, enquanto os produtos da indústria de transformação representaram a quase totalidade das importações provenientes do mercado europeu.
No mesmo ano, a União Europeia foi o destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total vendido ao exterior, consolidando-se como o segundo principal parceiro comercial do país. Nas importações, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões, ou 17,9% do total adquirido pelo Brasil.
As negociações do acordo tiveram início em 1999 e passaram por longos períodos de impasse até a conclusão do texto final. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com efeitos econômicos esperados de forma progressiva, à medida que as etapas de implementação e ratificação forem concluídas.
A assinatura do acordo ocorreu em Assunção, no Paraguai, sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos dias que antecederam o ato, Lula se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, encontro interpretado pelo governo brasileiro como um sinal político de apoio ao avanço do tratado.
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