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Lula fica fora da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia e governo explica decisão

Presidente recebeu Ursula von der Leyen no Rio e governo avalia gesto como central para o desfecho do acordo

Presidente Lula não participará da cerimônia em Assunção, mas reafirma compromisso com o acordo de livre comércio - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Presidente Lula não participará da cerimônia em Assunção, mas reafirma compromisso com o acordo de livre comércio - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 16/01/2026, às 18h30


O presidente Lula não participará da cerimônia oficial de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A ausência do presidente brasileiro, segundo o governo, não indica distanciamento do acordo, mas uma estratégia diplomática pensada para reforçar o protagonismo do país nas negociações.

Na véspera da assinatura, Lula recebeu no Rio de Janeiro a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de autoridades da área econômica e diplomática do bloco europeu. O encontro foi tratado por integrantes do Itamaraty como o momento político mais relevante deste desfecho, por reunir os principais articuladores do acordo após mais de duas décadas de negociações.

A avaliação do governo brasileiro é de que a reunião no Brasil simboliza o papel central do país na construção do entendimento entre os dois blocos. Diplomatas destacam que, embora a presidência temporária do Mercosul esteja com o Paraguai, o peso político e técnico das negociações foi conduzido majoritariamente pelo Brasil ao longo dos últimos anos.

Enquanto isso, a cerimônia em Assunção contará com a presença dos presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai, além de representantes de alto escalão da União Europeia, como Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. De acordo com fontes do governo brasileiro, houve uma tentativa de última hora de elevar o evento ao nível de chefes de Estado, mas o Itamaraty manteve a posição de que a assinatura caberia aos chanceleres.

Durante o encontro no Rio, Lula afirmou que a demora para a conclusão do acordo representou “25 anos de tentativas e frustrações” e defendeu que o entendimento vai além do aspecto econômico. Segundo o presidente, Mercosul e União Europeia compartilham valores ligados à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos, o que dá ao acordo um caráter político mais amplo.

Ursula von der Leyen reforçou essa leitura ao classificar o acordo como uma conquista histórica e agradecer publicamente a Lula pelo papel de liderança nas tratativas. Para ela, o entendimento simboliza o esforço de uma geração inteira para aproximar os dois blocos em um cenário global marcado por tensões comerciais e geopolíticas.

Nos bastidores, a diplomacia brasileira avalia que a chamada “foto da vitória” com os principais líderes europeus, em solo brasileiro, foi mais estratégica do que a participação na cerimônia formal. O governo entende que essa imagem consolida o Brasil como fiador político do acordo e fortalece sua posição internacional no debate sobre comércio, democracia e multilateralismo.


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