Tratado cria a maior área de livre-comércio já firmada pelo bloco europeu e ainda precisa do aval do Parlamento da UE para entrar em vigor.

Ana Beatriz Publicado em 09/01/2026, às 08h53
Após mais de duas décadas de negociações marcadas por avanços lentos e impasses políticos, os países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul. A decisão foi tomada em reunião de embaixadores do bloco em Bruxelas e abre caminho para a assinatura formal do tratado já na próxima semana, segundo informações de agências internacionais.
O pacto é considerado o maior acordo de livre-comércio da história da União Europeia e envolve o bloco sul-americano formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Juntos, os dois blocos reúnem cerca de 780 milhões de consumidores e representam uma fatia expressiva do comércio global.
Apesar da aprovação, o acordo avançou em meio a resistências internas. França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda votaram contra o texto, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. Ainda assim, o apoio da maioria dos países-membros garantiu a continuidade do processo. Os governos da UE têm prazo até as 13h (horário de Brasília) para confirmar oficialmente seus votos por escrito.
Para tentar reduzir a oposição, os Estados-membros concordaram com a adoção de mecanismos de salvaguarda que permitem monitoramento mais rigoroso das importações provenientes do Mercosul. A medida busca evitar desequilíbrios no mercado europeu, especialmente em setores sensíveis como o agrícola. A proposta, liderada pela Itália, reduziu de 8% para 5% o percentual de aumento nas importações que pode acionar medidas de proteção.
Mesmo com o aval dos embaixadores, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. A expectativa é que o tratado amplie o comércio bilateral, reduza tarifas e fortaleça laços econômicos e estratégicos entre Europa e América do Sul, embora críticos alertem para impactos ambientais e concorrência desigual para produtores europeus.
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