Histórico polêmico de Bove pode respingar em filho do ex-presidente

Jair Viana Publicado em 13/07/2026, às 16h29
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República enfrenta um novo desafio nos bastidores. Aliados próximos e integrantes do grupo político têm orientado o senador a manter distância do deputado estadual Lucas Bove (PL-SP).
A recomendação ocorre em meio a duas graves controvérsias que atingem o parlamentar paulista: acusações formais de violência doméstica contra a ex-esposa e uma declaração polêmica em que ele afirmou ser preferível votar em um político corrupto, desde que seja cristão.
Fontes garantem que a orientação para o afastamento tem como principal motivo o desgaste que a associação com Bove poderia causar à imagem de Flávio Bolsonaro, especialmente em um momento em que o senador busca se consolidar como uma opção viável para o eleitorado mais moderado.
Violência doméstica
Lucas Bove é réu em processos na Justiça de São Paulo por violência doméstica, psicológica, perseguição (stalking), ameaça e lesão corporal contra a ex-esposa.
A denúncia do Ministério Público detalha episódios graves de agressão: o deputado apontava uma arma de fogo para a vítima enquanto fumava maconha, arremessou uma faca contra a perna dela e dizia que a mataria se descobrisse uma traição.
A Justiça aceitou a denúncia em novembro de 2025, tornando Bove réu, mas negou o pedido de prisão preventiva. O parlamentar também responde por descumprir medidas protetivas concedidas à ex-mulher, tendo sido multado em R$ 50 mil por violar ordens judiciais, como mencionar a vítima publicamente. Em abril de 2026, ele se tornou réu em um segundo processo por descumprir as medidas protetivas.
Em nota, a defesa de Bove já afirmou que vai "comprovar a falsidade das acusações". Já a defesa da vítima classificou o acolhimento da denúncia como "um passo fundamental no combate à impunidade". O julgamento do caso deve ocorrer após as eleições.
"Corrupto cristão"
O segundo motivo para o afastamento foi uma declaração de Bove em entrevista ao podcast Iron Talks. O deputado afirmou que, diante da necessidade de escolher entre dois políticos corruptos, votaria naquele que fosse cristão, argumentando que isso ajudaria a impedir uma reeleição do presidente Lula.
A fala gerou forte repercussão negativa. A declaração coloca a fé acima da honestidade como critério de escolha eleitoral, o que soa contraditório vindo de um parlamentar que responde judicialmente por violência doméstica. A reportagem procurou a assessoria de Bove, que informou que o deputado não se pronunciaria sobre o assunto.
Nos bastidores, a avaliação é que a proximidade com Bove pode contaminar a imagem de Flávio Bolsonaro junto ao eleitorado feminino e aos setores mais preocupados com pautas de integridade e ética.
O senador, que busca se descolar da imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e do banqueiro Daniel Vorcaro — de quem cobrou R$ 134 milhões para o filme Dark Horse —, para atrair um eleitorado mais amplo, vê na associação com um parlamentar réu por violência doméstica um risco desnecessário.

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