Alimentos ficaram mais baratos no mês, mas hortaliças acumulam altas de até 155% no primeiro semestre; energia elétrica segue pressionando o índice

Letícia Sales Publicado em 10/07/2026, às 12h16
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, subiu 0,16% em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os grupos pesquisados pelo instituto, a Habitação registrou a maior alta de preços no mês e foi o principal fator de pressão sobre o índice geral.
Na direção oposta, a alimentação teve o maior impacto negativo sobre a inflação: os preços do grupo caíram 0,24% em junho. Os alimentos consumidos em casa recuaram 0,39%, revertendo a alta de 1,65% observada em maio, influenciados principalmente pelas quedas no café moído (-3,72%), nas frutas (-1,58%) e nas carnes (-0,64%). Já a alimentação fora de casa subiu 0,15% no mês, um ritmo bem mais lento do que o avanço de 0,49% registrado em maio.
Feijão e batata sobem, café e frutas caem
Apesar da queda geral nos alimentos, alguns itens fugiram à tendência. O feijão-carioca teve alta de 8,31% em junho, e a batata-inglesa subiu 3,57% no período.
Hortaliças acumulam altas expressivas no semestre
Um levantamento do primeiro semestre de 2026 mostra o tamanho da disparada de preços em algumas hortaliças. O pepino lidera a lista, com alta acumulada de 155,47%, seguido pela cenoura (103,14%) e pelo tomate (82,41%). A batata-inglesa acumula alta de 82,11% no ano, enquanto o morango sobe 60,97% e a cebola, 53,34%.
Segundo o IBGE, problemas climáticos e queda na produção em momentos importantes da safra explicam boa parte dessas altas. O pepino sofreu com o calor excessivo nas principais regiões produtoras, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, o que reduziu a produtividade das lavouras, de acordo com relatório do índice Ceagesp publicado em maio. Já a cenoura foi prejudicada pelo excesso de chuvas em parte da safra, o que comprometeu a qualidade das raízes e provocou deformações e doenças, reduzindo o volume apto para comercialização. No caso do tomate, a combinação de temperaturas mais baixas com aumento da umidade atrasou a maturação dos frutos e favoreceu a proliferação de fungos e bactérias nas lavouras, reduzindo a produtividade e elevando os preços.
Outros itens ficaram mais baratos
Do lado oposto, alguns alimentos tiveram forte queda acumulada no semestre. O abacate lidera as baixas, com recuo de 41,3%, seguido pela laranja-baía (-32,81%) e pela laranja-lima (-23,36%). A banana-maçã caiu 18,9%, e o maracujá, 12,93%. O café moído, item que também pesou na queda mensal da alimentação em casa, acumula recuo de 11,49% no semestre.
Despesas pessoais e saúde também pressionam o índice
Depois da Habitação, o grupo de Despesas Pessoais teve a segunda maior alta entre os pesquisados pelo IBGE, com avanço de 0,25% em junho. Os principais reajustes do grupo vieram dos serviços de empregado doméstico, que subiram 0,53%, e de cabeleireiro e barbeiro, com alta de 0,65%.
Já o grupo de Saúde e Cuidados Pessoais subiu 0,23% no mês, impulsionado pelos artigos de higiene pessoal — os perfumes, por exemplo, tiveram alta de 1,12%. Os planos de saúde também ficaram mais caros, refletindo o reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em vigor desde maio.
Veja o resultado por grupo pesquisado no IPCA de junho:
Energia elétrica desacelera, mas ainda pesa no bolso
Apesar de a alta dos preços de Habitação ter perdido força em relação a maio, quando o grupo havia subido 1,11%, ele continuou sendo o item que mais pressionou a inflação de junho. O principal responsável foi a energia elétrica residencial, que desacelerou de 3,67% em maio para 1,53% em junho, mas ainda assim foi o item que mais contribuiu para o resultado do mês.
Segundo o IBGE, a conta de luz permaneceu mais cara devido à manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos pelo usuário.
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