
Marcelo Emerson Publicado em 04/08/2022, às 08h41
O Brasil vive um estado de acentuada polarização política baseada no personalismo de duas figuras messiânicas: Lulae Bolsonaro. Quem quiser entender o Brasil a partir das pesquisas eleitorais pensará que há poucas chances de outro personagem político se tornar o próximo Presidente da República além dos dois mencionados.
Quanto mais as eleições se aproximam, mais acaloradas ficam as discussões não só entre militantes de ambos os políticos citados, mas também, na mesma intensidade, contra os eleitores que não aderem a qualquer dos dois nomes.
Pego emprestada a frase de Baltasar Gracián para ilustrar minha convicção sobre a realidade da nossa disputa político-partidária atual: “Metade do mundo ri da outra metade, e ambas são tolas”
A convivência com o diferente pode não ser necessariamente um ato de altruísmo, mas será sempre resultado da sabedoria, pois na prática o totalitarismo é impossível.
A visão maniqueísta do mundo embute o risco de reduzir a complexidade da vida real a ideologias simplistas que classificam tudo em "bem e mal", "cidadão de bem versus vagabundo", "comunista ou fascista", "petista e bolsonarista".
Até mesmo a psiquiatria já alertou para o desvio dessa forma simplista de ver o mundo. Raymundo de Lima, no artigo “O Maniqueísmo: o Bem, o Mal e seus efeitos ontem e hoje”, publicado na Revista Espaço Acadêmico, esclareceu que tal fenômeno se trata de “uma forma primária do pensamento que reduz os fenômenos humanos a uma relação de causa e efeito, certo e errado, isso ou aquilo, é ou não é”.
Lulistas e bolsonaristas, no mais das vezes, falam em democraciae liberdade, mas forçam uma polarização que não respeita o pluralismo político e a liberdade de consciência.
Percebe-se em algumas ocasiões uma verdadeira espiral do silêncio que tenta constranger todas as pessoas que não pretendem "passar pano" para todos os enganos do bolsonarismo e do lulismo.
Essa forma simplista de encarar a eleiçãopresidencial pode ser fruto de manipulação de líderes políticos que agem com muita má-fé.
Termino esta coluna com o complemento da frase citada acima, o pensador jesuíta destacou que: ”Dependendo da opinião, ou tudo é bom, ou tudo é ruim. Aquilo que uns perseguem outros evitam. Por isso, quem deseja regular tudo segundo seu critério é um tolo insuportável."

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