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Marcus Vinicius de Freitas

Marcus Vinicius de Freitas: Além dos rótulos

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Marcus Vinicius de Freitas: Além dos rótulos

Além dos rótulos

Marcus Vinicius De Freitas

Um dos lugares mais interessantes de Londres, sem dúvida, é Trafalgar Square. Nela se encontram dois importantes marcos do Reino Unido, um dos maiores impérios da história da humanidade. A Coluna de Nelson, um dos marcos, é uma homenagem ao grande almirante Horatio Nelson, herói morto na Batalha de Trafalgar, no sudoeste da Espanha, quando a Marinha Britânica venceu as Guerras Napoleônicas contra França e Espanha, em 21 de outubro de 1805, o que levou à consolidação da superioridade britânica nos mares. De Nelson é a famosa frase: “A Inglaterra espera que todo homem cumpra seu dever.” E assim o fez ao morrer lutando.

Além da Coluna de Nelson, existe a Galeria Nacional, fundada em 1824, que possui uma das maiores coleções de arte no mundo. Há alguns anos, a Galeria Nacional realizou um evento inusitado: retiraram de vários quadros e paisagens o nome dos artistas. A razão, segundo a Galeria, era porque as etiquetas dos quadros influenciavam a opinião das pessoas a respeito deles. A ocultação tinha por objetivo forçar os visitantes a apreciar, em primeiro lugar, a obra, muitas das quais seriam, de algum modo, ignoradas por causa das etiquetas. Estas, de alguma forma, impediam a devida apreciação da beleza dos quadros, pois rótulos e etiquetas modificam muito a percepção que temos das coisas. Associamos coisas positivas ou negativas a partir deles. O grande desafio é que os rótulos podem impedir-nos, efetivamente, de apreciarmos o conteúdo.

Nos últimos anos, temos observado o quanto a questão de rótulos tem deteriorado a vida social e política.Rotulamos pessoas a partir de sua cor, origem, orientação sexual, religião ou perspectiva política. Criamos a cultura do cancelamento e do mitar na Internet. Aos poucos, vemos a Internet transformar-se num terreno fértil de sepultamento de reputações. Na polítca, os rótulos enfatizam a questão ideológica, um processo de constante afrontamento entre nós e eles. Quem se recordar dos tempos dos governos petistas verá que os tempos atuais não são tão diferentes.

No campo diplomático, tais rótulos têm sido responsáveis por distanciamentos equivocados do Brasil com relação a seus parceiros regionais e globais. A crise do oxigênio na Amazonia, por exemplo, na qual o governo venezuelano cedeu oxigênio, não mereceu sequer um agradecimento por parte do governo brasileiro. O Brasil, a partir de uma perspectiva equivocada, alinhou-se a uma visão tosca do mundo e passou a classificar o mundo conforme rótulos preexistentes. E com isto vemos o Brasil reduzindo sua relevância global.

A questão da vacina contra a COVID-19 é mais um exemplo desta questão de rótulos. Ao tentar-se atribuir menor eficácia à vacina produzida na China, com uma variedade de teorias conspiratórias reconhecidamente falsas, o País perdeu-se num debate inócuo, ainda hoje refletido quando se tenta classificar a vacina de um determinado país como superior, baseando a perspectiva em dados que somente o tempo poderá comprovar. Adesinformação abunda na época em que justamente a informação é o bem mais abundante.

Quando observamos o cenário eleitoral de 2022, é importante olharmos além dos rótulos para entendermos quais são os planos que os candidatos possuem. É essencial que haja várias possibilidades e que, sem olhar rótulos – mas programas e planos a população possa ter a plena liberdade de escolher o que mais lhe convier. O que vemos é que muitos pretendem reduzir o cenário eleitoral a somente dois rótulos. Nada poderia ser mais equivocado.

O mundo passa por um processo de transição, com o eixo do poder global se deslocando do Atlântico para o Pacífico. Trata-se de uma oportunidade imensurável para explorar novos horizontes, abandonar rótulos e melhorar a compreensão da saga histórica da humanidade. Ao sul da América Latina, onde o Atântico e o Pacífico se encontram, fica evidente uma linha divisória, que distingue os dois oceanos e que dá a impressão de que ambos não se misturam, por terem graus diferentes de salinidade. É importante que no contexto das relações humanas entre Atlântico e Pacífico, isto não se repita. Para evitar, é preciso que cada um cumpra seu dever de olhar além da etiqueta.

Marcus Vinicius De FreitasAdvogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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