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Ministério da Saúde investe em enfermagem obstétrica para fortalecer o SUS

Brasil ainda enfrenta déficit e conta com apenas 13 mil profissionais na área

Iniciativa do Ministério da Saúde visa melhorar a assistência ao parto e cuidado neonatal - Imagem: Reprodução
Iniciativa do Ministério da Saúde visa melhorar a assistência ao parto e cuidado neonatal - Imagem: Reprodução

Gabriela Nogueira Publicado em 28/01/2026, às 15h53


O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ganhar reforço na atenção ao parto e ao cuidado neonatal com a formação de 760 novos profissionais em enfermagem obstétrica. Os especialistas estão em capacitação por meio de um curso nacional lançado pelo Ministério da Saúde no fim de 2025 e devem começar a atuar gradualmente na rede pública.

A iniciativa faz parte da Rede Alyne, política federal voltada à qualificação da assistência materno-infantil, e conta com investimento de R$ 17 milhões. O objetivo é ampliar o número de profissionais especializados em um país que ainda enfrenta déficit significativo nessa área. Atualmente, o Brasil tem cerca de 13 mil enfermeiros obstétricos registrados, número considerado baixo diante da demanda nacional.

A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com dezenas de instituições de ensino e serviços de saúde espalhados pelo país, além do apoio de entidades da categoria. O curso é voltado a profissionais que já atuam no SUS e possuem experiência mínima no atendimento à saúde da mulher.

Dados do Conselho Federal de Enfermagem indicam que menos da metade dos enfermeiros obstétricos registrados mantém vínculo ativo com unidades de saúde, o que evidencia gargalos na assistência, sobretudo em regiões mais afastadas dos grandes centros. Em comparação com outros países, o Brasil também apresenta proporção reduzida desses profissionais por número de nascimentos.

A presença do enfermeiro obstétrico é apontada como estratégica para ampliar o acesso ao parto normal e reduzir intervenções desnecessárias. Esse profissional acompanha a gestação, o trabalho de parto e o pós-parto, atuando de forma integrada às equipes médicas e priorizando práticas baseadas na fisiologia do corpo da mulher.

Especialistas destacam que modelos de atenção com maior protagonismo da enfermagem obstétrica apresentam melhores indicadores de segurança e humanização, além de contribuírem para a redução de cesarianas sem indicação clínica. No Brasil, o índice elevado de partos cirúrgicos ainda é considerado um desafio para o sistema de saúde.

A expectativa do Ministério da Saúde é que os novos profissionais formados pela Rede Alyne fortaleçam a atenção básica, as maternidades e os serviços de referência, ampliando o cuidado desde o pré-natal até o acompanhamento do recém-nascido. A iniciativa também busca enfrentar desigualdades regionais e raciais no acesso à assistência obstétrica.

Embora o reforço seja visto como um avanço, representantes da área avaliam que o número de vagas ainda está aquém das necessidades do país. A ampliação contínua da formação e a oferta de condições adequadas de trabalho são apontadas como passos fundamentais para consolidar um modelo de cuidado mais seguro, próximo e humanizado no SUS.


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