A cerimônia de entrega aconteceu nesta segunda-feira (24)

Thais Bueno Publicado em 24/04/2023, às 18h13
Nesta segunda-feira (24), o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou presença na cerimônia de entrega do Prêmio Camões a Chico Buarque. O evento aconteceu em Lisboa, capital de Portugal.
Durante seu discurso, Lula comentou sobre como a obra do artista é importante, já que ela traz, através da poesia, as relações entre Brasil e Portugal e, também, o uso da língua portuguesa como instrumento de disseminação da cultura e das lutas da nação sul-americana.
"Chico transformou em patrimônio literário comum os amores de nossos povos, as alegrias de nossos carnavais, as belezas de nossos fados e sambas, as lutas obstinadas de nossas cidadãs e cidadãos pela conquista da liberdade e da democracia", declarou o político.
O petista esteve no evento ao lado de Marcelo Rebelo de Souza, presidente de Portugal, e António Costa, primeiro-ministro português; além também, claro, do próprio Chico Buarque e outras autoridades.
O presidente do Brasil afirmou que estava feliz em corrigir um dos absurdos cometidos contra a cultura brasileira: ele remete ao fato de Chico Buarque ter sido premiado com a condecoração quatro anos atrás, mas não o ter recebido por conta do descaso da gestão anterior com a cultura e com os artistas nacionais.
De acordo com as próprias palavras de Lula, o ataque à cultura fez parte de um projeto que a extrema direita tentou implantar no Brasil. "Se hoje estamos aqui para fazer esse gesto de reparação e celebração da obra do Chico, é porque a democracia venceu no Brasil".
O político também fez questão de mencionar o obscurantismo e a negação das artes, que acabaram sendo 'selos' do totalitarismo e das ditaduras. Vale lembrar que o próprio Chico Buarque, no Brasil e em Portugal, foi vítima de censura.
"Esse prêmio é uma resposta do talento contra a censura, do engenho contra a força bruta".
Marcelo Rebelo de Souza, presidente do país europeu, também fez um discurso durante a cerimônia, antes mesmo de Lula. Ele colocou o famoso como parte integrante do patrimônio comum dos países de língua portuguesa.
Além disso, ainda afirmou que a escolha de premiar Chico Buarque, na prática, não teria que ter sido fundamentada por nenhuma decisão, visto que ela se impõe pelas evidências, acima de tudo poéticas, da obra do artista.
"Chico esperou quatro anos para receber e nós esperamos quatro anos, como admiradores esperam os que admiram, como amigos esperam uns pelos outros", disse o presidente português.
Quando chegou a hora de seu próprio discurso, Chico estava claramente emocionado. Ele ressaltou que valeu a pena esperar quatro anos para receber o diploma referente ao Camões, no dia em que Portugal comemora o fim da ditadura.
Conforme colocado pelo artista, os quatro anos do governo anterior pareceram uma eternidade, com o Brasil sendo comandado por "um governo funesto em que o tempo parecia andar para trás".
"Aquele governo foi derrotado nas urnas, mas nem por isso podemos nos distrair, pois a ameaça fascista persiste no Brasil como um pouco por toda parte. Hoje, porém, nessa tarde de celebração reconforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu prêmio Camões, deixando o seu espaço em branco para assinatura do nosso presidente Lula", declarou.
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