O ex-secretário de Segurança do DF estava nos EUA quando teve a prisão decretada

Nathalia Jesus Publicado em 14/01/2023, às 09h52
Anderson Torres, ex-secretário de Segurança do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública durante o governo Bolsonaro, foi preso na manhã deste sábado ao desembarcar no aeroporto de Brasília.
A prisão de Anderson Torres foi decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na última terça-feira (10). Naquele momento, o ex-secretário se encontrava de férias em Orlando, nos EUA.
O avião em que estava Anderson chegou ao Brasil por volta das 7h20. Segundo informações levantadas pelo UOL, o ex-ministro saiu da aeronave antes de todos os outros passageiros e já escoltado por agentes da polícia.
A Polícia Federal confirmou que Anderson Torres recebeu voz de prisão ao desembarcar do avião, ainda no hangar da corporação. Logo após ser detido, o ex-secretário encaminhado em comboio para outro local, onde é esperado que ele realize um exame de corpo de delito.
Duas horas depois da prisão, às 9h33, a Polícia Federal divulgou uma nota oficial para confirmar a prisão do ex-secretário de Segurança, mas não deu mais detalhes sobre o caso.
"Ele, que é policial federal, foi preso ao desembarcar no Aeroporto de Brasília e encaminhado para a custódia, onde permanecerá à disposição da Justiça", escreveu a corporação. "As investigações seguem em sigilo."
De máscara e boné, Torres foi escoltado pela polícia de Miami até o avião que o traria ao Brasil. Ao UOL, Rodrigo Roca, um dos advogados de defesa do bolsonarista, afirmou que neste sábado ainda terão uma reunião com o detido.
"Tomei a decisão de interromper minhas férias e retornar ao Brasil. Irei me apresentar à Justiça e cuidar da minha defesa. Sempre pautei minhas ações pela ética e pela legalidade. Acredito na Justiça brasileira e na força das instituições. Estou certo de que a verdade prevalecerá.", escreveu Anderson Torres em uma nota após ter a prisão decretada no Brasil.
Torres foi exonerado do cargo de secretário de Segurança do Distrito Federal ainda no domingo (08), após a invasão da Praça dos Três Poderes. Durante os atos, o ex-ministro era responsável pela ação da Polícia Militar e não conteve o avanço dos golpistas.
De acordo com o governo federal, existem provas que levam a acreditar que o ex-ministro de Bolsonaro foi negligente sob o comando da segurança na capital federal no momentos do ocorrido.
O afastamento e a prisão de Torres foi um requerimento da AGU (Advocacia-Geral da União). Alexandre de Moraes também autorizou que um pedido de busca e apreensão fosse realizado na casa de Torres.
Durante a operação, a Polícia Federal encontrou uma proposta de decreto ainda manuscrito para reverter os resultados da eleição que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro de 2022. Segundo Torres, o documento foi tirado de contexto e seria destruído em breve.
Ao longo da semana, a polícia recebeu informações que Torres teria tido um encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também está hospedado em Orlando.
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