Motivo do afastamento do agente federal, segundo o Ministério da Justiça, seria a participação do policial em ato político de Tarcísio; no meio político, o caso é visto como "vingança" pelas ações de Campetti em escoltas de Lula

Jair Viana Publicado em 27/08/2023, às 16h33
O afastamento do policial federal Danilo César Campetti, suplente de deputado estadual pelo Republicanos, segundo juristas, pode levar a União a ter de pagar indenização ao agente. Campetti esteve em três operações da Polícia Federal envolvendo o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficaram marcadas na história política do Brasil.
A suspensão do policial é vista como "vingança". O presidente do partido em São José do Rio Preto disse que já fez o que deveria ser feito e passou a responsabilidade ao governador Tarcisio de Freitas. O policial Danilo Campetti é lotado na delegacia da PF de São José do Rio Preto, cidade onde nasceu e vive com a família até hoje.
É conhecido na cidade e na região pelas operações das quais participou ativamente. Em 2022, filiado ao Republicanos de Rio Preto, ele foi candidato a deputado federal. Sua ascenção política se deu depois que passou a apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele é o segundo suplente do partido.
Em 4 de março de 2016, Danilo estava na equipe da PF que fez a polêmica condução coercitiva (quando o investigado é escoltado para ser interrogado) do ex-presidente Lula. No ano seguinte, em 7 de abril de 2018, lá estava Danilo Campetti, escalado pela PF para a prisão de Lula.
Em 1º de março de 2019, Arthur Lula da Silva, de 7 anos, neto de Lula, morreu, vítima de meningite meningocócica. No dia seguinte a Suprema Corte autorizou a saída Lula da prisão em Curitiba (PR) para São Bernanrdo do Campo (SP) para participar do velório do neto.
Na equipe que escoltava Lula, estava outra vez, Danilo Campetti. Em razão do histórico que envolve a atuação profissional de Campetti e a situação de réu e preso, do atual presidente, nos meios políticos há quem diga que o afastamento do policial de sua funções tem a ver com a questão política envolvendo Campetti X Lula nos episódios descritos.
Na avaliação de dois juristas famosos, que só falaram sob o compromisso do anonimato, para evitar eventual conflito de interesses, o afastamento do policial é medida ilegal. Um deles assinalou que não havia motivo para o afastamento.
Segundo o jurista, o motivo para o afastamento não tem "e nem poderia ter qualquer relação com a atuação do agente nos episódio em que ele, cumprindo seu papel esteve no front com Lula", disse. Para outro jurista, além de ilegal, a medida adotada pela Polícia Federal "constrange o agente que não tem em seu histórico nenhuma falta que justificasse o afastamento", disse.
O mesmo jurista aponta que cassar o direito de uso da arma e distintivo "é medida draconiana e irresponsável, pois deixa o policial vulnerável". No entendimento do jurista, a cassação da arma e distintivo tem a ver com a troca de tiro que se deu na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, no dia 17 de outubro de 2022.
"Naquele dia, o policial estava de folga e poderia estar em qualquer lugar, inclusive num ato político, como era o caso", disse. No dia 17 de outubro, Danilo Campetti estava em um evento do então candidato a governador, Tarcísio de Freitas (Republicano), de quem o policial é amigo.
Ele já havia assessora Freitas, no ministério da infraestrutura, no governo de Bolsonaro. Durante o evento houve uma troca de tiro entre rivais da comunidade. O policial Campetti, exibindo o distintivo pendurado ao pescoço e de arma em punho fez intervenção para acabar com o tumulto.
Para o jurista, o policial agiu dentro da lei. "Como policial, ele é obrigado a intervir em situação de crime. Ele é policial 24 horas do dia e não apenas quando está escalado", disse.
O policial Campetti foi procurado pela reporragem, porém, tendo em vista estar sob investigação, ele preferiu ficar em silêncio.
O presidente do Diretório do Republicanos, em São José do Rio Preto, Diego Polachini disse que o partido já adotou medidas para tentar resolver a situação do policial afastado. "O que era para ser feito, fizemos. Agora depende do governador agir", disse. Ele não explicou que medidas o partido adotou.
A reportagem procurou o governador Tarcísio para saber se ele já adotou ou pretende adotar alguma medida para reverter a situação de Danilo Campetti. Até o momento, Tarcísio não respondeu às mensagens deixadas em seu aplicativo.
Procurado pelo Diário, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que publicou a portaria com o afastamento de Danilo Campetti, não quis comentar o assunto, transferindo a responsabilidade para a Polícia Federal. Até o fechamento desta reportagem a PF não havia respondido. Se a instituição se manifestar, o texto será atualizado.
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