A série do canal HBO Max reproduz o que está no processo e não aquilo que a imprensa contou até hoje sobre o assassinato de Daniella Perez.

Jair Viana Publicado em 26/07/2022, às 17h23
"Como ficam as gravações amanhã?". Esta frase teria sido dita pelo então ator Guilherme de Pádua, na noite do dia 28 de dezembro de 1992, data em que ele havia matado com 18 punhaladas a atriz Daniella Perez, com quem contracenava na novela “De Corpo e Alma”, escrita pela dramaturga Glória Perez, mãe de Daniella. A frieza da frase incomoda Glória. Ela diz que a violência foi tanta, que parte do coração da atriz ficou exposta.
O caso virou uma série do canal HBO Max, que narra com riqueza de detalhes como aconteceu o brutal assassinato da atriz. Cada cena, cada texto, cada frase segue o roteiro traçado por Glória Perez, que não abre mão de mostrar o que está nos autos.
A escritora reclama da imprensa, pois acha que houve “sensacionalismo”, mas não se mostrou o que realmente aconteceu. No processo estão depoimentos, documentos e fotos que revelam o requinte de crueldade usado pelos assassinos.
Em entrevista ao UOL, a novelista revela que entre os detalhes que processo guarda estão fotos. Ela diz que a violência com que mataram sua filha foi sem limites, inclusive segundo ela, “parte do coração ficou à mostra”.
Na opinião da Glória Perez, a história não deve ser contada de qualquer jeito. "Se você quer contar essa história, tem que mostrar o que eles fizeram", diz. Ele não aceita que o caso seja minimizado. “O que me incomoda é que esse crime tenha sido cometido e que tenha sido tratado da maneira que foi. Eu acho que as fotos não deixam minimizar nada”.
A autora lamenta que as pessoas não vejam como realmente foi o crime. Você olha e foi exatamente aquilo que foi feito. "Então, me dói ver aquilo? Muito. Mas me doeu ver aquilo ao vivo, como eu vi. E ver depois como aquilo foi tratado de maneira a minimizar”, disse.
Diferente da versão de Guilherme de Pádua, de que o crime teria sido um acaso, como conta a novelista, ela acredita que tudo seguiu um roteiro preconcebido. "Ele dizia que foi um acaso. Mas, não foi uma coisa casual. Quando você olha aquelas fotos, você vê que não tem nada de momento, foi feito de uma forma quase ritualística".
Para a autora, a série conta o que está no processo. Ela disse que não teria autorizado a obra, caso a HBO-Max não assumisse o compromisso de mostrar o que está nos autos.
Para Glória, o momento é de mostrar a verdade dos fatos."Não se trata mais de apresentar versões. É o processo que fala e é só por ele que você pode entender o que aconteceu e o porquê dois psicopatas foram condenados por homicídio duplamente qualificado".
Nesta terça-feira (26), o Diário tentou ouvir Guilherme de Pádua sobre a série. Várias perguntas foram enviadas por aplicativo, mas ele não respondeu.
Em um vídeo postado em seu perfil em uma rede social, ele tenta se explicar, mas não entra em detalhe sobre o caso e nem sobre a série que está no ar.
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