Shanti de Corte morreu em 7 de maio de 2022 com aprovação de psiquiatras

Vitória Tedeschi Publicado em 07/10/2022, às 17h38
Shanti De Corte, de 23 anos, foi uma das sobreviventes de um atentado terrorista, que deixou 32 mortos e mais de 300 feridos, no aeroporto de Bruxelas, 2016.
No entanto, apesar de ter saído do episódio sem nenhum ferimento, carregou um trauma psicológico severo e diversas crises de depressão e ataques de pânico.
A jovem estava na sala de embarque do aeroporto belga de Zaventem com seus colegas de escola em 22 de março de 2016, quando uma bomba, do Estado Islâmico, explodiu e sua vida nunca mais foi a mesma. As consequências foram tão graves que a fizeram decidir que preferia ser sacrificada a viver com o trauma.
Após o episódio, Shanti passou por tratamento de reabilitação em um hospital psiquiátrico em sua cidade natal, Antuérpia, e tomou vários medicamentos antidepressivos para ajudá-la. Mas, infelizmente, ela não conseguiu lidar com suas memórias e tentou se matar em duas ocasiões em 2018 e 2020.
Após as tentativas, ela decidiu optar pela eutanásia, que é legal na Bélgica, e morreu em 7 de maio de 2022, cercada de sua família. Entretanto, a história só veio à tona nesta semana, quando sua mãe relatou o caso ao canal belga VRT.
Aquele dia realmente a quebrou, ela nunca se sentiu segura depois disso", disse Marielle, a mãe da jovem.
"Ela não queria ir a nenhum lugar onde outras pessoas estivessem, por medo. Ela também tinha ataques de pânico frequentes e nunca se livrou disso", continuou.
De acordo com a psicóloga da escola de Shanti, ela sofria de depressão grave antes de optar por acabar com sua vida. Após o diagnóstico, a psicóloga encaminhou Shanti para um hospital psiquiátrico em Antuérpia, onde fazia tratamento regular.
De acordo com a RTBF, o pedido de eutanásia de Shanti foi aprovado no início deste ano por dois psiquiatras.
Isso porque, na Bélgica, a eutanásia – definida como a prática de acabar intencionalmente com a vida de uma pessoa para aliviar a dor e o sofrimento – é legal para um indivíduo que está "em uma condição medicamente fútil de sofrimento físico ou mental constante e insuportável que não pode ser aliviado, resultante de uma transtorno grave e incurável causado por doença ou acidente".
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