Países como Cuba, Nicarágua e Bolívia apoiaram Maduro, enquanto a maioria dos outros países apelaram para ações conjuntas visando o "respeito à vontade popular" e ignoraram os números divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE)

por Marina Milani
Publicado em 01/08/2024, às 21h00
As eleições na Venezuela desencadearam uma crise política que ressoou em toda a região. Com algumas exceções notáveis, como Cuba, Nicarágua e Bolívia, a maioria dos países da América e da Europa exigiram transparência do governo de Nicolás Maduro na publicação dos resultados.
Enquanto alguns países ignoraram os números divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e apelaram para ações conjuntas visando o "respeito à vontade popular", outros, como Brasil, Colômbia e México, optaram por uma postura mais moderada. Na segunda-feira (29), o governo de Maduro intensificou sua retaliação contra os críticos e anunciou a expulsão dos diplomatas da Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai.
Fernando Petrella, ex-vice-chanceler da Argentina e ex-embaixador na ONU, explicou à CNN que esta é uma suspensão das relações diplomáticas sem rompê-las oficialmente, o que não está contemplado na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas.
Esta medida foi acompanhada de ações de intimidação, como cortes de água e eletricidade à embaixada argentina em Caracas. Elsa Llenderrozas, diretora do programa de Ciência Política da Universidade de Buenos Aires, destacou que isso representa uma grave violação do direito internacional.
A Venezuela já havia se isolado politicamente na região, retirando-se da Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo Petrella, esse isolamento beneficia Maduro, pois reduz a interferência externa. Além disso, o país está agora fisicamente isolado, com a suspensão de voos para o Panamá, um hub importante para conexões com o norte do continente.
O isolamento deve intensificar a dependência da Venezuela de aliados extra-regionais como Rússia, China e Irã, potencialmente radicalizando ainda mais o regime. Beningo González, diretor do Centro de Estudos Políticos e Governamentais da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), afirmou que essa estratégia visa eliminar a influência externa durante a crise interna.
A crise venezuelana também tem implicações regionais, com estimativas de que entre 8 a 10% dos venezuelanos possam deixar o país nos próximos meses, pressionando vizinhos como Colômbia e Brasil. Petrella sugere cautela na promoção do isolamento, lembrando que o isolamento de Cuba não foi produtivo.
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