Retomada de Izium é considerada pior derrota militar da Rússia

Agência Brasil Publicado em 12/09/2022, às 15h54
Nas últimas semana, Kievtem anunciado a reconquista de várias regiões ucranianas ocupadas por invasores russos. A retomada da cidade de Izium, na província de Kharkiv, foi a pior derrota militar da Rússia desde o início da invasão à Ucrânia. Com perda do principal reduto no Nordeste da Ucrânia, nacionalistas russos criticam Vladimir Putin e pedem que o presidente mude a estratégia para garantir a vitória final.

Nesse domingo (11), o Exército ucraniano confirmou que retomou "mais de 20 localidades" em 24 horas, em contra-ofensiva contra o Exército russo, principalmente no Leste da Ucrânia. Em reação a essa notícia, Ramzan Kadyrov, o líder da Chechénia indicado pelo Kremlin, criticou a liderança do Exército russo.
“Se hoje ou amanhã não forem feitas mudanças na condução da operação militar especial, serei forçado a dirigir-me à liderança do país para explicar a situação no território”, disse Kadyrov em mensagem publicada no Telegram.
Advertindo que o Kremlin pode enfrentar consequências com a perda de território que pretendia manter “para sempre”, Kadyrov sugeriu que Putin pode não estar ciente do estado real das coisas.
“Cometeram erros e acho que vão tirar as conclusões necessárias”, disse na mensagem de áudio, no domingo. “É uma situação interessante. Surpreendente, diria”.
A Ucrânia informou ontem que recuperou cerca de 3 mil quilómetros quadrados do território, principalmente na região de Kharkiv, desde o início de setembro.
"A libertação de localidades dos invasores russos continua nas regiões de Kharkiv e Donetsk", diz relatório do Exército ucraniano. Em toda a linha de frente, “as forças ucranianas conseguiram expulsar o inimigo de mais de 20 localidades” em 24 horas, acrescenta o documento.
"Durante a retirada, as tropas russas abandonaram suas posições às pressas e fugiram".
Enquanto as forças russas abandonavam as cidades no sábado (10), Putin inaugurava a maior roda gigante da Europa em um parque de Moscou, para celebrar a fundação da cidade em 1147. O silêncio do Kremlin em resposta a essa derrota provocou descontentamento nas redes sociais entre russos pró-guerra e nacionalistas.
Desde o início da invasão em fevereiro, o Kremlin tem se concentrado em silenciar as vozes críticas à guerra, mas são vários os líderes nacionalistas que pressionam, cada vez mais, a Rússia para que mude de estratégia e envie mais tropas.
À medida que as forças ucranianas reconquistam território, o Ministério russo da Defesa publica vídeos, indicando que militares russos são enviados para a região de Kharkiv. Ontem, o ministério afirmou que as forças russas tinham atacado posições ucranianas na região com dispositivos aéreos, mísseis e artilharia.
Nem Putin, que é o comandante supremo das Forças Armadas da Rússia, nem o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, comentaram publicamente a derrota russa nesse domingo.
Sergei Mironov, líder do partido da oposição Rússia Justa, leal a Putin, escreveu no Twitter que os fogos de artifício pelas celebrações em Moscou deveriam ser cancelados, considerando a situação militar. Também pelo Telegram, o correspondente de guerra Semyon Pegov referiu-se às comemorações como “insultuosas” e à recusa das autoridades russas de avançar para uma guerra em grande escala como “esquizofrênica”.
"Ou a Rússia se constrói, ela mesma, com o nascimento de uma nova elite política, ou deixará de existir", escreveu Pegov.
As forças ucranianas continuam a avançar para o Norte, na região de Kharkiv, e para o Sul e Leste do país, disse o chefe do Exército da Ucrânia.
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